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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Um Casal em Sampa – Parte 21 – Junho continua...


Pois é, o mês de Junho ainda não terminou neste resumão das nossas vidas em Sampa. Como havia comentado no post passado, minha saúde foi extremamente afetada, tive uma febre intestinal que fez ficar dias de cama.

Recebi uma ligação de meu chefe, para vir trabalhar já na Avenida Paulista. Já não pertencia mais a equipe da Lapa. No inicio iria ser um tipo de auxiliar do L., trabalhos dois dias juntos, até minha transferência ser completada para outro setor no mesmo prédio.

Enquanto isto, a minha ex-companheira desacatou varias vezes nossos superintendente, o que lhe serviu de futuro desligamento. Ele contratou outra pessoa, e depois que ela passar todo o trabalho para esta pessoa, será desligada na empresa.

Sabe, é muito chato isto. Pois todo mundo no inicio apoiou muito ela, mas ela demonstrou não ter perfil para coisa, não saber esta a frente de uma equipe, mesmo que a nossa que era tão pequena formada por ela, eu e a outra menina.

Bem, o novo serviço a responsabilidade foi redobrada. Mas, com minha experiência na outra função, fez com que eu já estivesse familiarizado com o novo serviço. A equipe é muita mais contida que a anterior, tem um gay também nesta equipe, mas muita na dele e muito gente boa. E você vê aquele pessoal todo sem nenhuma piadinha de mau gosto ou degradante a ele, pelo contrario, ele é muito respeitado e adorado por todos.

Fiz amizade com as pessoas mais próximas a minha mesa, mas aprendi a lição de não levar tão adiante uma amizade de trabalho. Às vezes ela não passa disto, apenas colegas de trabalho, e não vou querer me decepcionar mais uma vez. Então ficarei na minha.

Bem depois de estar nesta nova função e estar deslumbrado com a Avenida Paulista (Ô lugar bão para trabalhar). Fez com minha vida pessoal também entrasse na paz, e também fazer o L. ficar menos preocupado com minhas condições anteriores.

Com o novo salário, já estou ajudando minhas sobrinhas em Santos e podendo fazer pequenas extravagâncias.

Neste mês fizemos algo diferente, vimos o musical “Mamma Mia” (que por sinal é muuuito bom, nem liguei para as letras em português). E para comemorar o aniversário do L., fomos jantar na Augusta, num lugar super legal chamado Frevo, e depois fomos ver “Meia-Noite em Paris”.

Finalizamos a noite na Frei Caneca, num barzinho gay, olhando o movimentado mundo GLS, e encontramos meu primo caçando por lá (:D). Terminamos a noite abraçadinhos na cama e passamos um domingo preguiçoso vendo séries e filmes na TV.

Bom, enfim tenho paz. E parece que as coisas entraram no trilho. Então, com certeza devo ter mais coisas boas para contar nos próximos posts.

Ass.: R

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Um Casal em Sampa – Parte 20 – Maio/Junho


Enfim, ultrapassamos os primeiros meses por nossa conta. Conseguimos balancear nossas despesas, caprichamos nas horas extras, e enfim, podemos ter uma vida confortável, é claro, sem móveis na sala ainda, mas com um quarto aconchegante que vale muito mais.

Mas, nem tudo são flores, no departamento que eu trabalho, nosso supervisor foi transferido para outra área, ficamos sem supervisor. A pessoa ao qual mais me identifiquei e que se mostrou grande amiga, como era a mais velha (mais tempo de casa) no local, assumiu a liderança da célula.

Apesar de não ser intitulada como líder por nosso supervisor, ela assumiu a função, e foi apoiada por mim e por nossa outra companheira de trabalho. Mas, tem certas pessoas que não tem perfil para a coisa, não sabe o que é realmente liderar, e perde totalmente o controle da situação, confundindo liderança com militarismo.

No início houve vários confrontos verbais com a outra menina, o que valeu almoços desgastantes, discussões de nível de poder, entre outras coisas mais. Não demorou para a situação descontrolada da nossa “líder” me atingir. Eu, que sou uma pessoa muito calma, cheguei ao limite após minhas funções entrarem em cheque, tive uma discurção calorosa com a mesma.

Apesar de nosso superintendente continuar a dizer que ela apenas é a cabeça da equipe e não é a líder, fui acometido do tal “assédio moral”. Coisa que a gente só vê em filmes, jornais e matérias na internet.

A situação transformou meu dia a dia no serviço em um inferno, com diversas diretrizes do meu trabalho mudando, sem contar com os mandos e desmandos, humilhações e demonstração de poder.

Quando você sabe que não fez nada errado, sabe que é responsável por seu trabalho, cumpre com que tem o que cumprir, ver uma pessoa tentando te derrubar, te denegrir e tentar o tempo todo te humilhar, faz você se sentir muito mal.

Isto acabou me fazendo muito mal, afetando minha saúde, o que me fez ficar afastado alguns dias do serviço. Foram dias de cama e muita febre. Tive que deixar o verdadeiro responsável pela célula ciente da situação.

Para meu espanto, o próprio estava muito infeliz com o trabalho dela, que ela havia já um histórico bem pesado de falta de ética e que ela já estaria na lista de prováveis demitidos. E que eu ficasse em paz, que ele estaria já cuidando de minha transferência.

Por mais que eu estivesse feliz em ir trabalhar na Av. Paulista, meus nervos já em frangalhos, não admitia minha volta ao meu antigo trabalho. Mesmo que se eu passasse apenas um dia por lá, ainda seria muito sofrimento psicológico.

Mas, como tudo na minha vida, tive que respirar fundo e encarar. O que importava, é que trabalharia perto do meu maridón, o que daria uma rotina mais presente entre nós dois. Teríamos mais tempos para ficar juntos, como a ida ao trabalho e os almoços.

E que venham mais novidades, boas... por favor ;)

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Um Casal em Sampa – Parte 19 – Março/Abril


Bem, passou a decepção por não conseguir o apê de nossos sonhos e voltamos nossos olhares na busca contínua. Que estava ficando cada vez mais estreita. Meu primo iria voltar para um antigo ape dele nos próximos dias.

Depois de uma vasta e tortuosa busca, encontramos o apartamento. Pequeno, este não seria nossa primeira opção, mas naquele momento era totalmente providencial. E começamos toda a loucura de encaixotar e agendar a mudança.

A mudança seria muito fácil. Teríamos roupas, escrivaninha e computador apenas para mudarmos. O guarda-roupa no nosso antigo apartamento era embutido e a nossa grande cama boxer teria que ficar para trás, no prédio novo não teria como levá-la, pois a escadaria e o elevador não tinham o tamanho ideal e estaríamos no 14º andar.

Chegamos ao ape e o cenário havia várias caixas, o computador sem internet, um colchão inflável e um microondas (presente do primo). Um cenário desolador. Para viciados em internet, séries e conforto, era terrível.

Mas, foi por pouco tempo, conseguimos comprar os móveis de quarto e de cozinha, inclusive nossa ultra-mega-blaster-maravilhosa TV. Depois de alguns dias de enlouquecer subindo nas paredes, a internet foi instalada.

E caímos na real, depois de quase dois anos em São Paulo, enfim nos sentimos realmente casados. Só nos dois, com nossos móveis, nosso canto e nossos horários. Tudo do jeito que a gente quer e pode fazer.

Voltamos à rotina de ver TV deitadinhos, viciamos ainda mais em séries como “Modern Family” e “How I Meet Your Mother”. E nos deliciamos com esta nova vida de casados.

Temos muito mais responsabilidades, muito mais contas, muito menos dinheiro (:D), mas para todo início de vida é assim, e se não fizermos um pouquinho de sacrifícios, nunca conseguimos conquistar nada. E quando conquistamos, a sensação é maravilhosa.

Bem, eu e o L. estamos preparados para mais esta nova fase, prestes há fazer oito anos juntos, conseguimos mais um gostinho de novidades no nosso relacionamento, e isto, não tem preço ou dinheiro que pague.

Em breve: mais decepções, bulling e mais.

Ass.: R

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Um Casal em Sampa – Parte 18 – Janeiro/Fevereiro


Bom, com a falta de tempo de procurar fisicamente apartamento, partimos para o jeito mais prático: jornais e anúncios online. Ficamos viciados em sites de imóveis na internet, a busca era diária, para não dizer de hora em hora.

Com alguns achados, começamos as visitas e é claro as decepções. Muitos destes anúncios mascaram um pouco o estado ou alguns detalhes do apartamento, como tamanho, condições e local de acesso.

O que mais nos espanta é como o valor imobiliário em Sampa esta em alta e qualquer apartamento o menor que fosse, bateria qualquer aluguel em cidades como Santos ou São Vicente. O custo de vida esta muito caro e isto dificulta ainda mais a procura.

E parece que cada apartamento que achávamos, menor eles ficavam. Parecia Alice No País das Maravilhas ao contrário, enquanto lá Alice entrava em pequenas porta e via grandes salões, aqui a gente entrava em grandes prédios e via apes minúsculos.

Enquanto continuava a busca, me adaptava ao novo emprego. Não posso reclamar de minhas companheiras de trabalhos, apesar de toda a pressão que o emprego exige, não posso dizer que não tive apoio de ambas. Elas eram tão solicitas como grandes companheiras de trabalho, com de almoço e de conversas triviais.

Um delas casou cedo e tem uma filhinha. A outra era um mistério, feminina ao extremo, com até um ar de adolescente, acabou sendo uma grande surpresa ao passar dos dias, quando em uma das suas conversas telefônicas (sua mesa fica colada a minha), vi que chamou alguém no telefone de esposa.

Não demorou muito para ela abrir para mim sobre seu relacionamento homossexual. Está há vários anos com uma companheira, e desde que sua mãe faleceu, as duas vivem juntas. O que foi um tapa na cara, pois mesmo eu sendo gay, ainda havia aquele certo preconceito em minha cabeça que nunca imaginária que uma mulher toda feminina poderia ser lésbica.

Pior que logo eu, que luto contra o estereótipos de gay afeminado, dizendo que nem todos os gays são assim, cai na mesma cartilha e fiquei surpreso em ver que minha companheira de trabalho não é masculinizada por que namora outra mulher.

Pois é, a vida é uma caixa de surpresas e sempre me ensina uma lição: “Mente aberta, R. Um ser humano é sempre diferente de outro. Não rotule um pelo o outro”. E é isto, cai na armadilha que sempre alerto para outras pessoas não caírem.

Bem, como era de esperar, me abri também com ela, o que melhorou ainda mais nosso relacionamento. E me deu aquela esperança, que muitos que ditam que homossexuais são promíscuos, que não rola monogamia, estão um pouco errados. Como tudo na vida, há sempre exceções, e não estou sozinho nesta.

Bem, voltando à busca pelo apê, encontramos o lar dos sonhos. Um apartamento maravilhoso, próximo de onde moramos (o que não iria mudar nossa rotina diária). Preparamos toda a documentação, aceleramos o máximo o processo e fomos pegos de surpresa, o apartamento já havia sido alugado por outra imobiliária.

Deu uma vontade louca de chorar, ainda mais que todo dia víamos o próprio pela janela do nosso apê. Foi muito chata a situação.

A seguir: Vida de casado! Novo lar!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Um Casal em Sampa – Parte 17 – Novembro/Dezembro


Chegamos ao último bimestre do ano, e nada de apartamento novo. Mas o início de Novembro vem com novos ares. Fui chamado de novo para empresa que dei entrevista anteriormente, e fui informado que não preenchia o perfil do cargo que candidatei, mas tinha o perfil de outro.

No começo fiquei chateado, pois o cargo era muito bom e este novo o salário era mais baixo. Mas, depois de alguns dias de testes, fui indicado para outro cargo, desta vez com o salário muuuuito melhor. Imagina meu sorriso. Tirei toda aquela sensação de fracasso das costas, pois o cargo era de extrema responsabilidade e sabia que não iria ser entregue a qualquer um.

Conheci meu futuro chefe/supervisor, gente muito boa que me deu uma aula sobre toda a empresa, conheci também minhas companheiras de trabalho, duas meninas geniais. Voltei ao meu emprego antigo na expectativa de ser chamado.

O dia chegou, pedi demissão e fui conversar com minha supervisora. Ao contrário dos vários que saíram de lá reclamando, não sou de cuspir no prato que comi, e falei muito bem da empresa, não é por acaso que este emprego que me fez firmar os pés aqui em São Paulo.

Meu novo emprego é num condomínio fechado na Lapa, mas passei por uma semana de treinamento na outra sede, que fica na Avenida Paulista. Pelo nível do local e do treinamento, me deixou muito seguro deste novo emprego é o melhor para mim e que minha vida estaria mudando daqui para frente.

Firmando os pés no novo emprego, eu e meu maridón tivemos uma conversa séria sobre nosso futuro, que consistia em não mudar mais com meu primo e sim partir para nossa vida a dois.

Então paralelamente a busca do ape do meu primo, eu e o L. começamos a procurar nosso próprio apê. Sem contar a cabeça começou a ficar a mil por hora, sobre o passo que estaríamos dando rumo à nova expectativa de vida.

Mas, a vida me mostrou nestes anos de vida, que quanto mais temos medo de dar um passo a frente, mas somos forçados a dar um passo atrás. E depois de sair do armário, conquistar um namoro de sete anos e vir aqui em São Paulo para ter uma vida a dois, não tinha por que eu atrasar todo o processo.

Por mais que eu estivesse morrendo de medo de saber como será, pois até agora dividíamos as coisas em três. O suporte do meu primo foi muito bem vindo no início, mas agora teríamos que dar um passo decisivo e as coisas ficariam um pouco mais complicadas.

Mas, o que na vida de um gay não é complicado. Se tenho uma família que me aceita, que ama o L. e estamos bem empregados, por que ter tanto medo de dar um passo tão decisivo. Será que devo deixar de ser certinho demais e começar a arriscar?

Mas, depois de arriscar e abrir a todos a relação com o L. e conseguir avançar esta fase, o que seria mais difícil??

A seguir: A busca do Apê! Surpresas no trabalho!

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Um Casal em Sampa – Parte 16 – Setembro/Outubro


Bem, como faz muito tempo que não atualizado este blog, resolvi voltar estas postagens e dar uma atualização bimestre a bimestre do que rolou nas nossas vidas. Bem vindos de volta!

A expectativa do novo emprego cresceu, fiz nova entrevista, Mas, ainda sem retorno. Enquanto isto, meu primo roda o bairro atrás de um novo ape, temos 90 dias para sair (pois o ape que alugamos foi posto a venda) e meu primo durante 30 dias entre os meses de setembro e outubro estará viajando para fora. Então a urgência de se resolver este problema é grande.

O problema é o financeiro, meu emprego antigo ainda não dá expectativa de alugar grandes coisas, o que deixa o meu primo e meu maridón sobrecarregados com as responsabilidades.

Com as mudanças nos Bancos que presto serviço, a célula onde eu trabalhava deixou de existir, fui jogado sem pára-quedas numa nova célula com uma supervisora carrasca, que não está nem aí se estou bem treinado ou não, quer que eu faça tudo conforme o correto.

Meu primo conseguiu um apartamento para alugar antes de viajar, só que o proprietário faz milhões de exigências que fazem primo voar atrás de documentações. Depois de quase tudo certo, o proprietário volta atrás com os valores e pede novas documentações. Meu primo desiste do apartamento e vai viajar na incerteza.

O resto do mês, apesar da ameaça de chegar nova cartinha pedindo nossa retirada do apartamento, foi um pouco mais calmo. Com meu primo viajando um mês, eu e meu maridón ficamos sozinhos com as compras e contas, o que nos deus uma idéia melhor de vida de casados. Um mês só nos dois juntos. Que foi um grande sucesso.

A mudança de supervisora no serviço, deu nova expectativa e também consegui um pequeno aumento de salário. A coisa foi tão boa, que depois de um mês na nova célula, já estava ajudando os novos companheiros que entraram. Enquanto o novo emprego não surge no horizonte, me dedico ao atual, já que é ele que paga minhas contas.

Meu maridón continua sua subida de cargo e aumento de salário, o que me dá um orgulho enorme, em menos de um ano de emprego ele teve três subidas de cargo. A responsabilidade aumenta e com ela, várias horas extras. O que aplica certa solidão em mim, mas que eu sei que é necessário.

Meu primo volta de viagem, cheio de novidades sobre sua passagem pelo Oriente Médio, mas também voltamos ao antigo fantasma da futura saída do ape. Temos que voltar a procura de um apartamento, mas um pouco mais sossegados com o aumento de prazo que vai até início de 2011.

Vimos apartamentos ruins e também alguns que eram um sonho. Mas, infelizmente acabamos não fechando com nenhum e continuamos na expectativa da procura. A caça ao apartamento perdido continuava por mais alguns meses.

Mais expectativa que vão tumultuar mais ainda o próximo bimestre.

A seguir: Novo Emprego! Novas Decisões!

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Um Casal em Sampa – Parte 15 – Mudanças Again


Estas últimas semanas aconteceram várias transformações em nossas vidas, como um novo emprego em vista para os próximos dias, mudanças no meu antigo emprego e a venda do apartamento que eu alugo junto com o meu primo e meu maridón.

Pois é, estamos prestes a receber uma cartinha declarando que teremos que deixar nosso ilustre apê no prazo de 90 dias, pois ele foi posto a venda pelo proprietário. Algo que a gente não esperava tão cedo. Estávamos planejando ficar aqui até o ano que vem, quando teremos a possibilidade de comprar nosso próprio teto. Mas, nossos planos foram por água abaixo e nosso futuro teto também depende de meu futuro emprego.

No meu emprego atual, a seção onde eu trabalhava deixou de existir. Fui remanejado para outra seção, com a promessa de estar bem treinado para assumir minhas novas funções. Mas, isto não aconteceu, em menos de uma semana fui remanejado para novas funções e usar sistemas que eu nunca vi na vida. Após uma semana de stress, estou começando a relaxar agora, mas a gente se sente meio burro quando esta num lugar onde parece que todos falam grego.

Mas, como todos os empregos que já passei, onde não tinha nem noção da função, me saí muito bem, e não é este que vou me decepcionar.

Mas há outra luz no fim do túnel, um velho amigo de uma antiga empresa que trabalhei em Santos, me indicou para um cargo. Um cargo bom, com um salário ótimo e uma empresa de primeira. O problema, que tenho que ficar no aguardo, pois a empresa esta chamando aos poucos, e tenho sérios problemas de ansiedade.

Tendo este novo emprego nas mãos, seria muito mais fácil resolver o primeiro problema do teto. Talvez até pudesse alugar um teto só para o casal. Sem contar que iria deixar a bagunça que se tornou meu emprego atual.

Outro problema, é que daqui a algumas semanas, meu primo vai fazer uma viagem internacional e deixar o país por um mês. Então, a situação de alugar um novo apê é urgente.

Pois é, a vida não é fácil mesmo. Mas, tento acreditar que tudo vai correr bem e que eu e meu maridón vamos avançar mais um passo nesta nova vida de casado.

Ass.: R

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Um Casal em Sampa – Parte 14 – Escolhas e Mães


Todo mundo que resolve um dia juntar os trapinhos e casar, sofre daquele pavor e friozinho na barriga. Para o caso de um casamento gay a coisa meio que complica, pois enquanto alguns desconfiam, a gente tem aquela falsa segurança, mas quando moramos juntos, estamos assinando uma confissão que somos gays perante amigos e família.

Então, se fez sua escolha, tem que ser ciente que não dar para voltar atrás, não podemos usar a desculpa da atriz Anne Archer, que disse que teve seu relacionamento com a apresentadora Helen, por que estava com um distúrbio mental e que agora “curada” voltou a ter relacionamentos heterossexuais.

Mas, não vou ser hipócrita de dizer que tem horas que o arrependimento bate, como qualquer resolução grande, que modificará seu presente e por conseqüência, seu futuro, bate aquela “se eu não tivesse feito isto”.

Mas, são poucos os momentos, são aqueles momentos de fraquezas, que a gente volta a infantilidade. E quer gritar pela mãe e voltar para debaixo de sua saia.

Como falei anteriormente, isto é uma conseqüência do casamento em si, tanto heterossexual como homossexual. Uns dias atrás estava conversando com uma amiga do serviço, que adorou sair de casa e casar, mas tem horas que chora de noite com saudades da mãe.

Com certeza, a vida é muito mais fácil sob as asas de sua mãe-coruja, mas esta é a evolução do ser humano, assim como qualquer ser vivo, a mãe esta lá para alimentar, ensinar a voar e depois é por nossa conta.

E bate aquela insegurança, ainda mais eu que depois do falecimento do meu pai, passei vários anos na companhia apenas de minha mãe. Hoje bate aquela coisa durante a noite: “E se ela morrer, eu podia ter passado mais tempo com ela se não tivesse saído de casa. E se acontecer algo e ela estiver sozinha. E se eu não tiver com ela quando ela vir a falecer.”.

Pois é, tenho que confessar que cortar o cordão umbilical é mais difícil do que parece.

Mas, fico feliz quando volto a Santos, e passo horas e horas conversando na mesa com ela, e o mais importante, o meu maridón faz parte desta conversa, e minha mãe gosta demais dele. Daquele tipo de gostar, de contar coisas que só fala a pessoas bem intimas dela. Isto me deixa extremamente feliz.

Então uma dica importante, faça escolhas, pense um pouco antes de fazê-las, mas faça e não se arrependa, pois isto é a pior coisa que pode acontecer. Escolha, curta suas escolhas e o mais importante, sua mãe continuará ser sua mãe, mesmo que você não mora mais em suas asas.

Ass.: R

Os.: a imagem da postagem é da série “Queer as Folks” que tem uma das mães mais legais de um filho gay :D

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Um Casal em Sampa – Parte 13 – Quase um ano de casados.


O blog esta de volta e com isto, nosso diário de bordo também. Já se passaram mais de dois meses depois do último texto.

Estamos realmente casados, já nos sentimos casados, já deitamos casados e levantamos casados. Não tem mais volta. Em 1º de Agosto, vai fazer um ano que deixamos nossa família no litoral e caímos de cara em duas realidades: morar numa metrópole como São Paulo e passar a conviver juntos.

Vida de casado não é uma eterna lua de mel, mas também não é uma desgraça. Somos seres humanos diferentes, com jeito de pensar diferentes, manias diferentes e rotinas diferentes. A fase de adaptação pode fazer você arrancar seus cabelos da cabeça, mas depois você vê que tudo aquilo foi uma tempestade num copo d’água.

Para nós dois há grandes agravantes, estamos longe da família, de alguns amigos, e no meu caso, de minha cidade favorita. Então, perder a cabeça por causa de um par de meia sumido acaba virando algo comum.

Mas, calma, nossa cama continua uma cama, não é ainda um ringue de Boxe :D

Hoje, estamos mais calmos, passamos a nos adaptar a cidade e nos adaptar a hábitos alheios. Quando paramos de bater o pé como meninos mimados, acabamos enxergando as coisas melhores e vendo que esquentar a cabeça não vale nada. Ninguém muda ninguém, apenas nos adaptamos, mas todos tem identidade própria e jeito de pensar própria, mudar isto é um tremendo erro.

Resumindo, vida de casado é assim, no começo é um grande oba-oba, depois você fica meio assustado e chamando a mãe como se fosse uma menininha, mas depois você vê que em grande parte é exagero seu, e que no saldo geral, vida de casado é muito legal.

Dormir e acordar com alguém do lado, alguém que te escuta naqueles dias mais tristes, alguém que chega do trabalho e te dá aquele beijo e abraço gostoso. O sexo diminui em quantidade , mas duplica em qualidade. Alguém que quando você pensa num futuro sem ele, não consegue enxergar nada, apenas o futuro com ele. Alguém que você quer comprar seu próprio carro junto, montar sua casa e envelhecer junto.

Casamento sendo homossexual ou heterossexual se consiste em companheirismo, confiança, paciência, carinho, muito amor... sem isto, não há casal que se consiga passar quase seis anos namorando e um ano morando juntos.

Este texto é em homenagem a meu grande amor, que hoje esta fazendo aniversário.

Feliz aniversário, L. Muitas felicidades e que você viva muitos e muitos anos... de preferência ao meu lado ;)

Ass.: R

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Um Casal em Sampa – Parte 12 – Rotina?


Bem, a coisa mais perigosa e às vezes estressante num casamento ou numa vida a dois é a rotina. Por mais que não sejamos os caras mais baladeiros e fervidos do mundo gay, a gente se preocupa nisto também.

Então as vezes, ou assim que possível, fazemos pequenos detalhes para não cair no “mesmo de todo o dia”. O dinheiro é curto, a preguiça bate e as vezes isto basta para a gente encostar no canto e deixar a rotina nos contagiar.

Nossos fins de semanas sempre são regados a filmes em casa ou uma passeadinha. E a gente faz questão disto. No feriadão de Páscoa tentamos deixar a rotina de lado e balançar um pouco “o de sempre”. Fomos para o litoral visitar a família e marcamos de rever antigos amigos de serviço em comum. Foi muito gostoso reencontrar pessoas e ver o que esta rolando em suas vidas atualmente. No sábado revemos nossos amigos de um site jornalístico, foi mais um reencontro gostoso. E para finalizar um gostoso almoço de Páscoa com família no domingo.

Neste fim de semana o dinheiro esta mais curto e frio começou a pegar aqui em Sampa. Resolvemos então simplificar nossa saída com um almoço bem gostoso num restaurante perto de casa, que não atingisse tão fatalmente nossos bolsos. Depois passamos a tarde e a noite numa sessão de filmes de terror, e finalizamos a noite com eu no meu vício do Sims 3 e o L. devorando mais algumas páginas de “Orgulho e Preconceito e Zumbis”.

Não foi um dos fins de semanas mais agitados, mas nem assim ficamos caídos na rotina. Neste domingo, acordei o L. com um café da manhã na cama, e depois nos enroscamos e dormimos mais um pouco debaixo do edredom. Hoje o almoço é dele e depois fomos dar uma volta pelo bairro.

E é isto, para deixar o relacionamento bem mais agradável, o melhor e dar um basta na rotina. Não precisa também de deixar de fazer algo que vocês gostem, mas tente sempre colocar coisas novas e não deixe a preguiça te pegar. Saia com os amigos, coma num lugar legal, visite a família para bater um papo, faça uma sessão especial de DVDs em casa, faça um almoço diferente e o melhor, faça um carinho.

Para um relacionamento durável, é bom deixar a rotina bem de lado, tente colocar sempre coisas novas e não precisa ter muita grana para isto, não pode ser usada como desculpa. Você vai ver como tudo fica bem com novidades sempre na vida a dois.

Ass.: R

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Um Casal em Sampa – Parte 11 – O que é felicidade?


Bem, falar o que é felicidade é algo meio amplo. Mas, é um sentimento as vezes ignorados pelo ser humano. As vezes, o homem tem a mania de querer sofrer ou ampliar este sofrimento de tal maneira que deixa a felicidade bem tímida.

É claro, que este mal quase todo humano sofre (ou até todos, incluindo eu).

Estes dias estão bem complicados, problemas na casa, clima pesado, problemas familiares em Santos. E isto já é algo que com certeza vai deixar a felicidade ou até mesmo a percepção dela, bem longe.

Mas, se você prestar a atenção no dia ou até no que você conquistou, fazer pensamento positivo, lembrar de algo bom. Sabe aquele tipo de coisa, que você esta em pleno ônibus ou metro, e começa rir do nada por que se lembrou de algo bem engraçado. Tente se apegar a este instante, tente ampliá-lo.

Sei que é difícil, falo por experiência própria, sei que a regra é clara, a vida nos dá mais motivos para chorar do que para sorrir. Mas, se a gente ampliar estes sorrisos, chegar à cama no fim do dia e não ficar remoendo problemas, e sim apenas lembrando de coisas legais do dia.

Eu tentei esta terapia comigo mesmo. Neste último domingo, eu e o L. vimos um filme a tarde (o filme era “Preciosa”, depois comentarei sobre ele por aqui) e resolvemos terminar nosso dia na Paulista. Descemos no fim dela e fomos andar até o shopping onde iríamos jantar, depois de rodar na indecisão de escolher um local, fizemos nosso prato. Comendo, saboreando e conversando muito.

Depois fomos a um bar próximo a boate “A Loca”, paramos por lá numa multidão de gays conversando, e ficamos lá observando a galera, fazendo carinho, trocando beijinhos, bebericando um refrigerante, tudo de mãos dadas. Foi tão gostoso. E terminamos a noite com um sorvetinho e na banca de jornal.

Cheguei no meu apê peguei meu gibi e deitei na cama, dei um beijo de boa noite no já exausto L. e fiquei do lado dele. Pronto, comecei usar esta terapia. Comecei ao lembrar do dia, de como eu estava feliz com a pessoa que me ama e que eu escolhi, que como é um privilegio conseguir isto no meio de tanta gente que não consegue... e isto ao nível geral, até de heteros.

Passamos por tantas fases, invejas, fofocas, libertações familiares, até um pouco de solidão, mas vencemos tudo isto e estamos chegando aos 7 anos, e agora casados. E o pior de tudo que a inveja é tão grande que chegaram até falar que estamos juntos por carência. Pois é, esta carência já dura quase 7 anos :D

Sei que não estou no emprego que quero, muito menos o salário e o nosso apartamento não é 100 % nosso. E vamos conquistar tudo isto aos poucos. É claro que a depressão bate, as saudades, nossas vidas não foram e não são fáceis. Mas, como fiz no último domingo, vou tentar me apegar a felicidade. Fazer as pazes com ela, sei que é muito difícil, mas esta longe de ser impossível.

Então o meu conselho (que espero também usar), tente fazer isto, tente no fim do dia lembrar coisas boas, engraçadas, pensar no que você tem de bom com você. Não importa que seja seu namorado ou amigo ou emprego. O que importa é tentar ser feliz: dar risada, gargalhar ou mandar uma mensagem legal para alguém. Ou chegar e olhar nos olhos daquela pessoa bem querida e dizer: “eu te amo”, “eu te adoro” e com isto, transmitir um pouco de sua felicidade para alguém.

O que é felicidade? Não é só um estado de espírito, é também um momento, uma memória, um sorriso. Encontrá-la, talvez seja mais fácil do que a gente pense, basta a gente não querer afastá-la.

Então, dê um sorriso e seja neste momento um pouco feliz.

Ass.: R

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Um Casal em Sampa – Parte 10 – Ano Novo Casado


Eu e o L. estamos próximos de completar 7 anos desde que começamos o namoro e 5 meses que estamos morando juntos, praticamente casados. Desde que conhecemos, não pudemos passar todo o fim de ano juntos, este ano iria ser primeiro e como já disse antes... casados :D

Natal foi para o lado mais familiar, fomos a casa de minha mãe em Santos e fizemos a ceia lá. É claro, respeitando minha mãe, sempre dormimos separados – não que ela não saiba, mas é questão de respeito de espaço. E foi um fim de semana bem aproveitável, matei a saudade da família, pudermos andar na praia e saímos com nossos antigos amigos.

O Ano Novo foi também gostoso, apesar da chuva forte que atrapalhou os nossos planos. Ficamos na casa de minha prima em Santos, onde grande parte de tios, primos e família em geral se reúnem para comemorar a data, com muita conversa e é claro, muita comilança.

Mas, tínhamos planos de sair com os primos e dar uma passada na Barraca da Cris (que para quem não sabe, é um point gay na praia de São Vicente), tinha até combinado de ver um amigo, mas a chuva fez a gente desmarcar os planos. Mas, na medida do possível foi muito bom. O L. pode também no dia seguinte passar uma tarde inteira com seu pai.

Bem, a conclusão disto tudo, é que cada vez mais a minha família (e agora, mais do que nunca, família do L.) nos enxerga como um casal. Sem olhares feios, desconfianças, ou tititi. Todo mundo se relacionando conosco e com certeza com a conversa para noite toda.

Bem, após esta mudança brusca em nossas vidas, sempre fica aquele medinho da reação das pessoas. Mas, aí você pensa: “eles não pagam a minha conta!”. Eu sei disto, mas isto não quer dizer que não queira que as pessoas reajam bem à situação. Por mais que não procure a aprovação das outras pessoas, mas é muito bom ver que elas aceitam.

E iniciamos mais um ano, 2010 vai ser o Ano 7, dizem que o ano que as crises dos casais acontecem. Se a gente sobreviver a este ano, acho que não vamos ter mais problemas futuros :P

E isto aí, em breve mais um episódio do “Cotidiano da Vida Casada Gay” ;)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Um Casal em Sampa – Parte 9 – Dormir Junto


Uma das grandes (das muitas) vantagens de morar junto, casar ou juntar os trapinhos, é poder ter alguém do seu lado na cama. Não pense bobeira, não estou falando apenas de sexo, isto também é bom, mas a sensação de ter alguém pertinho de você.

Eu e o L. tivemos algumas destas experiências de dormir juntos em tempos passados. Antes de nos “casarmos”, tivemos um período atribulado em que esta situação ficou quase que impossível. Então ficava na memória aqueles antigos feriadões onde ocupávamos a casa do meu cunhado e passávamos praticamente o dia inteiro na cama.

Hoje, a situação é diferente. Dormimos todos os dias juntos. Mas, calma, nem tudo é um mar de rosas. Todos nós temos hábitos, manias e até jeito de dormir diferentes. As vezes alguém monopoliza a cama e você tem que acordar no meio da noite e empurrar. Ou você acorda indo para o chão. Ou quando tivemos um dia cheio, o ronco é inevitável.

Parece um filme de terror vendo por este ângulo, mas não tenho medo de dizer que não tenho mais vontade de dormir sozinho. Por mais que algumas noites sejam “do barulho”, não tenho nenhuma vontade de mudar isto.

Não tem coisa melhor que quando você tem aquele pesadelo, acordar e poder dormir de conchinha com alguém. Ou durante você sentir um abraço, um carinho... ou acordar e olhar para o lado e ver aquela pessoa que você ama ressonando bem suavemente, e a única vontade que você tem e beijar sua testa.

Como tudo num casamento, até dormir junto tem seus percalços, mas num saldo geral você vai adorar e não vai querer ser de outro jeito. Pois não existe coisa melhor.

Ass.: R

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Um Casal em Sampa - Parte 8 - Culinária


Bem, não tenho vergonha de dizer que nunca fritei um ovo. É sério, em casa nunca tive a necessidade de ir a cozinha, no máximo dos máximos, pegava um congelado, uma lasanha e só esquentava no microondas. E só nisto que resumia a minha vida culinária.

Com meu namorado trabalhando quase o dia todo, e meu primo com seus horários loucos, eu tive que meter o umbigo no fogão e ver se conseguia tirar algo de bom. E a coisa não foi tão sofrível assim, a internet tem muita coisa ruim, mas tem uma infinidades de sites que ensinam receitas sem muito segredos e que dão um efeito espetacular.

A coisa partiu do básico com bolinho de arroz, e depois para bifes “falsos” a parmegiana, risoto, macarrão com queijo, macarrão com atum, torta, e agora estou numa nova empreitada dos doces, que já começaram com o bolo de cenoura com chocolate e o delicioso pudim de maria mole.

E acabei descobrindo que a cozinha é tipo uma atividade ocupacional e até as vezes relaxante (não tanto quando você tenta dar ponto numa teimosa calda de caramelo). Mas, neste período sem emprego, virou algo prazeroso, e fez minha cabeça ficar ocupada com medidas, frituras e o ponto certo.

Mas, agora estou de volta ao mundo dos assalariados, e estou numa empresa de suporte técnico para um banco, sei que não é algo que pedi a Deus e o salário é uma merreca, mas, vamos dar tempo ao tempo, e tentar brecar a ansiedade.

Mas, isto fica mais fácil escrevendo aqui, pois na real fica difícil quando você ver sua carreira tendo no fundo apenas poeira, pois o bom e velho dinheiro vivo virou uma lembrança para ela.

Mas, neste feriadão, tentamos fazer algo econômico, colocando nossos filmes em dias no sofá de casa mesmo. E na segunda demos uma fugidinha para pagar as contas no Shopping Bourbon e comer um lanche rápido. O que foi muito gostoso, para quem não o conhece, ele tem uma vista panorâmica no piso de alimentação, que dá para ver uma parte de São Paulo, e até ver de longe meu prédio :D

E com isto, termino minhas peripécias desta semana, depois conto mais coisas novas.

Até mais.

Ass.: R

Obs.: Os bifes "falsos", é que eu substituo as carnes ou por hamburgeres a milanesa ou files empanados ;)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Um Casal em Sampa - Parte 7 - Sinto Falta de Você...


Sim, parece um verso de uma antiga música da Vanessa Rangel (ela existe ainda?), mas no meu caso é mais do que isso. É carência desmedida mesmo.

Calma, estou exagerando um pouquinho. Não sou também aquele grude da espécie “namorado chicletinho”, mas sinto muita falta do L. do nada. Estamos entrando no terceiro mês de “casados” e morando juntos. A intimidade e a convivência aumenta. Não vivemos no paraíso, tudo é questão de adaptação, não somos totalmente parecidos, mas isto seria muito chato, não é mesmo.

Mas, faz um mês que enfim um de nós dois encontrou emprego. Meu maridón agora trabalha como executivo numa empresa na Paulista, imagina todo dia ele chegando de terninho e gravata. Haja fetiche... elaiá!

Enquanto o meu emprego não vem (já estou subindo pelas paredes), fico em casa sozinho, ou as vezes na companhia de meu primo, ou então envolvido em procurar as atualizações do meu blog mais safadinho, o DXPP.

Mas, sempre no período da tarde, ou ao acordar, da aquela baita saudade. Como é eu sempre que o acordo as 6 da matina (não há despertador que acorde realmente o L., a não ser o chatão aqui), e vou e pego no sono novamente, e as vezes eu acordo com ele entrando no quarto para pegar suas coisas e para me dar um beijinho de despedida.

Depois deste período fico naquele sono não-sono. Aquele que você fica acordando de 10 a 15 minutos. E olho para o meu telefone para ver se tem ligações, mas o pior e olhar para o lado e ver o espaço vazio.

Vocês devem pensar: “puta cara chato e carente”. É que antes de ele encontra emprego, passávamos os dias acordando e dormindo juntos, fazendo coisas juntos. E é diferente quando esta rotina muda. Mas, sei que é provisório, pois em breve espero estar com a cabeça bem ocupada no novo emprego.

Mas, por enquanto, fico naquela saudadezinha boa.

Por que é boa? Que sei que a noite eu posso matar ela. Mesmo com ele cansadinho.

Ass.: R

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Um Casal em Sampa – Parte 6 – Homens de Família


Bem, voltei com nossas “aventuras” em nossa nova cidade, São Paulo. Na última parte, falei sobre o aniversário que haveria do meu primo, que estariam pessoas de nossa família que não sabíamos como seria a reação ao ver nossa cama de casal.

Bem, o aniversário aconteceu no sábado, mas uma parte das pessoas chegou na sexta-feira a noite. O casal e sua filha, ao qual estávamos preocupados por causa de formação religiosa evangélica, foram a grande surpresa, trataram a gente normalmente.

Isto mostra, que tem pessoas que a religião não faz ela ter apenas aquele conceito pregados por ela. O casal, por exemplo, entraram no nosso quarto, sentaram na nossa cama para assistir no You Tube, o "Pânico na TV". E ainda brincaram com a frase do Fred Mercury Prateado “Ta com roupa de mulherzinha, ta!”.

Que bom, pois o ser humano sempre me surpreende pelo seu lado as vezes negro, e pelo contrário, este casal maravilhoso me surpreendeu com seu lado mais amoroso e nos deu uma chance de nos ambientar como um casal normal.

Pois, no final das contas, no sábado já estavam 14 pessoas de minha família dormindo aqui em casa: tias, primas, primos, maridos de primas e tudo mais; e nenhum momento sentimos um olhar de desprezo, de reprovação ou uma piadinha sem graça.

Virei para o L. e disse: “bem, oficialmente somos um casal perante a família”. E aquilo nos fez um bem inimaginável, tirando todo aquele peso ou duvida, ou aquela vontade de se esconder. Somos sim um casal como qualquer um, sem porém.

No fim das contas, aproveitamos a festa, conversamos (e comemos) muito. Demos muitas risadas, matamos as saudades de algumas pessoas e o melhor de tudo, sem nos sentirmos marginalizados.

Mais um passo foi dado, mais um passo bem forte e firme. E vamos em frente, que por incrível que pareça, as coisas podem ser mais fáceis do que imaginamos.

Ps.: Feliz aniversário, Primão! E obrigado por nos dar mais um belo momento como este ;)

Ass.: R

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Um Casal em Sampa – Parte 5 – Prova de Fogo


Bem, estamos beirando os dois meses aqui em São Paulo. Vivendo numa nova cidade e também como casados. Duas experiências novíssimas. O ciclo de pessoas que sabem sobre nossa atual situação cresceu virtuosamente, o que pode ser bom e estranho ao mesmo tempo.

A boa noticia, que L. conseguiu um emprego, e vai iniciar em Outubro em uma grande empresa. Eu continuo na luta, tenho meu persistente pessimismo, mas esta “nova”, me deixou mais empolgado. Vamos ter mais novidades no futuro.

Daqui alguns dias, mais exato, no próximo sábado, vai ser o aniversário do meu primo no salão de festa do prédio. A casa vai encher de gente para dormir, o que incluem minhas primas (que já sabem sobre meu “casamento”). Mas, a noticia sobre outro casal e sua filha virem para cá, deu aquele friozinho na barriga.

Não que eu tenha me arrependido de ter vindo aqui, e tenha assumido tal posição. Mas, se um casal vem para cá e você não tem certeza que ele sabe disto, e vão trazer sua filha de menor e a expor a um quarto com uma cama de casal que dormem dois homens... é bem esquisito.

São duas pessoas sensacionais, mas eu me colocando no lugar deles, e sendo a origem religiosa evangélica deles, eu sei que seria muito difícil explicar a situação para sua filha. Na hora que eu soube, deu até uma dor de barriga.

Mas, desde que decidi colocar a cara para bater, eu sabia que não escaparia de situações deste tipo. Do mesmo jeito, não é por que fui corajoso até este ponto, que eu também não possa ter medo, receio e ou não querer enfrentar uma espécie de saia justa.

Felizmente, após minha prima conversar com o casal, e saber que eles já estão por dentro da situação, estou mais tranquilo. Mas isto não significa que o receio ainda continua. E que com certeza algum tipo “silêncio” ou saia justa irá acontecer.

Fazer o que, né? Temo que enfrentar, ou passaremos a vida inteira escondidos em um quarto. Vamos ver, o que o fim de semana nos reserva.

Depois dou mais detalhes ;)

Ass.: R

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Um Casal em Sampa – Parte 4 – A Loca


Em plena quinta-feira, cabisbaixos procurando emprego, quando meu primo chega do serviço e diz: “vamos 'A Loca'”. Eu meu marido nos entreolhamos, ele que sabe já esta vontade que eu tenho de conhecer mais a noite gay daqui, e concordamos. O tempo estava gostoso, o frio tinha dado uma trégua. Imprimimos o flyer e fomos.

Como sempre, fomos ao bar da esquina da boate, meu primo tomou um esquenta (para quem não sabe, eu bebo muito ocasionalmente e o L. não bebe mesmo). Ficamos observando as figuras que estariam mais tarde na pista de dança.

Entramos no local, e conhecemos de cara a “prata da casa”, uma drag bem magrinha e no extremo da vesguice. Chegamos e fomos direto para pista, as músicas intercalavam com os sucessos da rádio e alguma música tirada do baú dos anos 80 e 90. Pista vazia quando chegamos, mas por pouco tempo, depois ficava difícil até andar.

Mas, foi muito gostoso. Dançamos muito, eu e o L. nos beijamos muito, meu primo beijou terceiros. E o melhor de tudo, apesar de achar a lei contra o fumo bem arbitrária, mas foi muito agradável passar o tempo inteiro apenas sentindo o cheiro da fumaça perfumada da pista. Sem pensar que quando saísse dali, sua roupa, cabelo e até cueca estariam podres de cheiro de cigarro.

Para colocar a cereja no bolo, um show com a desbocada Silvetty Montilla, que nos arrancou muitas risadas e deixou muita gente constrangida. E terminamos a noite dançando muito e aproveitando até as quatro da madrugada. Infelizmente, o pobre do L. levou um banho de uma bebida até agora desconhecida. E teve que passar o resto da noite apenas vestindo um casaco.

Para não perder a mania, antes de São Paulo voltar a ativa, uma parada para um café. Desta vez ficamos na Bela Paulista, que virou um dos meus lugares favoritos aqui de Sampa. Boa comida, ótimo café, preço bom, lugar hiper confortável e um atendimento nota 10. Tanto que no domingo voltamos la para repetir a dose.

E é isto, esta foi nossa estréia nas boates paulistanas, a primeira de muitas, com certeza.

Fiquem ligados, que em breve tem mais.

Ass.: R

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Um Casal em Sampa – Parte 3 – Um barzinho e um café


Apesar de ter morado apenas a pouco mais de uma hora de São Paulo, frequentamos pouquíssimas vezes a noite paulistana; para não dizer que não fomos, visitamos o Café Vermont, na República, e shoppings em geral.

Agora estamos a pouquíssimos minutos da grande noite gay paulistana. E eu que era muito curioso em conhecer as boates de São Paulo, uma em especial, A Loca. Sei que não é uma das melhores daqui, mas todo mundo fala sobre os repertórios de quintas e domingos, que são ótimos para quem não curte muito pancadão ou musica eletrônica.

Na primeira vez, não entramos na boate. Ficamos bebericando num barzinho friendly (ou forçadamente friendly pela freqüência do povo gay por ali) e vimos todo tipo de figuras: bichas caipiras, quase modelos, lordes ingleses, calças que dividiam até as bolas do saco, gente muuuito bonita, gente muuuito feia e tudo que você pode imaginar.

Ficamos eu, L. e meu primo só observando, comentando, dando risadas, meu primo flertando, eu e meu marido escolhendo um namorado para meu primo, fugindo de caçadoras e até tivemos um dialogo bizarro com um gay usando um chapeuzinho de palha, tipo Chico Bento.

Apesar de todo frio que estava aquele dia. Ficamos encasacados e aguentamos na boa, fugindo das frequentes rajadas de vento gelado. Fazer o que, estamos em São Paulo e temos que nos familiarizar com tal situação.

Terminamos com um agradável pré-café da manhã na Galeria dos Pães – depois de desistirmos pela falta de atendimento do péssimo Fran’s Café (o que esta parecendo ser um mal da franquia). E foi nossa estréia na noite gay paulista, onde podemos ficar em plena rua, esquina ou nos barzinhos, trocando beijos, abraçados e sem olhar discriminatório ou criminoso (pleonasticamente falando) de alguém.

Bem, calma, não desisti, A Loca era meu próximo alvo, e falaremos disto na próxima parte. Fiquem ligados.

Ass.: R

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Um Casal em Sampa – Parte 2 – Primeiro Mês


Pois é, se passaram um mês de casado em nova casa. Infelizmente, fizemos muitos contatos, mas ainda não apareceram os empregos novos, mas pelo que vimos, isto será só questão de tempo.

Felizmente, após quase três semanas dormindo no chão em colchões improvisados, a cama enfim entrou no apartamento. Para quem não sabe, resumindo: a cama era grande demais para subir pelas escadas ou por elevador, então surgiu uma única alternativa, subir pelo fosso do elevador.

Os pobres da companhia de manutenção de elevadores sofreram para trazer a dita cuja até o quarto andar. Tanto que demos uma gorjeta gorda, pois foi muito suor e graxa para todo que é lado.

Com a cama no quarto, a coisa ficou mais habitável, não que o quarto não era habitável (pelo contrário, o apartamento do meu primo é extremamente aconchegante), mas um quarto sem cama acaba perdendo sua característica. E foi muito boa a primeira noite.

Teremos que nos acostumar a algumas coisas, não sei por sermos ainda um casal novo, mas na cama a coisa se transforma com apenas um toque, encostou um no outro, e pronto. O problema que o negócio esta virando quase diário... não que isto seja realmente um problema. :D

Mas, a vida de casado esta sendo bem agradável, temos que apoiar um ao outro, pois ambos tomamos algumas medidas difíceis, e até meio drásticas para poder ficar juntos e atravessar esta nova fase de casado. E se acostumarmos com certas peculiaridades e manias que cada um tem. Mas, isto só acrescenta, apesar de eu achar o L. muuuuito bagunceiro.

No resumo da ópera, as coisas estão indo melhores do que eu imaginava (pois, tenho sempre a péssima mania de pensar no pior). Só falta o emprego e termos realmente uma vida mais ativa, pois com dinheiro, São Paulo ficará pequena demais para nós dois.

Fiquem ligados, que em breve tem mais.

Ass.: R

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