quinta-feira, 22 de julho de 2010

Um Casal em Sampa – Parte 14 – Escolhas e Mães


Todo mundo que resolve um dia juntar os trapinhos e casar, sofre daquele pavor e friozinho na barriga. Para o caso de um casamento gay a coisa meio que complica, pois enquanto alguns desconfiam, a gente tem aquela falsa segurança, mas quando moramos juntos, estamos assinando uma confissão que somos gays perante amigos e família.

Então, se fez sua escolha, tem que ser ciente que não dar para voltar atrás, não podemos usar a desculpa da atriz Anne Archer, que disse que teve seu relacionamento com a apresentadora Helen, por que estava com um distúrbio mental e que agora “curada” voltou a ter relacionamentos heterossexuais.

Mas, não vou ser hipócrita de dizer que tem horas que o arrependimento bate, como qualquer resolução grande, que modificará seu presente e por conseqüência, seu futuro, bate aquela “se eu não tivesse feito isto”.

Mas, são poucos os momentos, são aqueles momentos de fraquezas, que a gente volta a infantilidade. E quer gritar pela mãe e voltar para debaixo de sua saia.

Como falei anteriormente, isto é uma conseqüência do casamento em si, tanto heterossexual como homossexual. Uns dias atrás estava conversando com uma amiga do serviço, que adorou sair de casa e casar, mas tem horas que chora de noite com saudades da mãe.

Com certeza, a vida é muito mais fácil sob as asas de sua mãe-coruja, mas esta é a evolução do ser humano, assim como qualquer ser vivo, a mãe esta lá para alimentar, ensinar a voar e depois é por nossa conta.

E bate aquela insegurança, ainda mais eu que depois do falecimento do meu pai, passei vários anos na companhia apenas de minha mãe. Hoje bate aquela coisa durante a noite: “E se ela morrer, eu podia ter passado mais tempo com ela se não tivesse saído de casa. E se acontecer algo e ela estiver sozinha. E se eu não tiver com ela quando ela vir a falecer.”.

Pois é, tenho que confessar que cortar o cordão umbilical é mais difícil do que parece.

Mas, fico feliz quando volto a Santos, e passo horas e horas conversando na mesa com ela, e o mais importante, o meu maridón faz parte desta conversa, e minha mãe gosta demais dele. Daquele tipo de gostar, de contar coisas que só fala a pessoas bem intimas dela. Isto me deixa extremamente feliz.

Então uma dica importante, faça escolhas, pense um pouco antes de fazê-las, mas faça e não se arrependa, pois isto é a pior coisa que pode acontecer. Escolha, curta suas escolhas e o mais importante, sua mãe continuará ser sua mãe, mesmo que você não mora mais em suas asas.

Ass.: R

Os.: a imagem da postagem é da série “Queer as Folks” que tem uma das mães mais legais de um filho gay :D

Um comentário:

Clécio disse...

Oi,lindo..adoro o blog de vcs e acho bacana a evolução do relacionamento de vcs dois....só duas dicas..não tô criticando o blog..mto pelo contrário, pois espero que tenha a cada dia mais leitores....o nome da série é Queer as folk, sem o "s", no final. o nome da atriz é Anne Heche e o da ex-companheira dela é Ellen Degenneres, sem o h...bjs e tenha uma boa semana..não encarem mal a correção..são só dicas, tá bom?abraços

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