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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Diário do Leitor


E trazemos mais uma colaboração de nossos ilustres leitores aqui no blog, o leitor W resolveu falar de sua homossexualidade através de uma confissão e uma amizade.

"Meu nome é W, e há um tempo você pediu que escrevemos algo relacionado a minha homossexualidade. Não escrevi antes porque estava sem tempo, então aqui vou eu =D.

Sou nerd (algo que agora é moda, mas antes eu era zuado por isto), e sempre fui tímido. Na época da escola, não ficava com nenhuma menina, não tinha nenhum desejo de ficar com elas, na verdade não tinha desejo de ficar com nínguem. Era um nerd clássico, só me interessava pelo estudo.

Quando eu entrei na faculdade, fiquei amigo de um carinha hétero, também fiz outros amigos, mas com este carinha me aproximei muito. Ainda me interessava mais pelo estudo, e não reparava que a minha relação com este amigo hétero estava se tornando quase um namoro.

Hoje com calma, eu consigo olhar para esse período, e ver que a minha relação com ele, para mim, desde o inicio era mais do que uma relação de dois amigos. Nunca rolou nada entre a gente, mas agíamos como se fossemos namorados. Isto era tão nítido, que todos da sala acreditavam que éramos namorados. Só quem sabia que isto não era verdade, eram os outros amigos que conviviam com a gente.

Com o tempo, a nossa relação foi ficando tão intensa que ficou claro para ele, que estávamos agindo como namorados, e ele começou a se afastar de mim. Hoje não falo mais com ele, e mesmo sabendo que nunca teremos mais nenhum tipo de relação, eu continuo amando ele.

Com o afastamento dele, comecei a me aproximar mais dos meus demais amigos (antes vivia pelo carinha hétero). E com eles, comecei a pensar em relacionamentos. Eu até namorei uma menina na época da escola, mas depois dela, não fiquei com mais ninguém, ou seja, quase meus quatro anos da facu, sem ficar com nínguem (falei que era nerd).

A namorada de um dos meus amigos, disse que ia me ajudar (não tinha pedido a ajuda dela). E ela basicamente fez uma lista das amigas dela que eu deveria tentar namorar. Foi neste período (q foi assim que terminei a facu), e comecei realmente a pensar sobre a minha sexualidade. Sem estudos na minha mente, e com a pressão da namorada do meu amigo, foquei na minha sexualidade. E vi que não sentia desejos por mulheres.

Sinceramente, eu não sei como acontece com as demais pessoas, mas para mim foi algo simples, assim que tive a mente livre do foco que eu tinha no estudo, ficou claro que eu sempre fui gay e que eu me focava no estudo para não ter que pensar sobre isto.

Assim que notei que era gay, contei para meus amigos, porque eles estavam meio que me pressionando para namorar, já que eu era o único solteiro (na verdade ainda sou XD). Eles são todos héteros, e antes de contar para eles, achava que iam deixar de ser meus amigos, ou sei lá, se afastarem, mas aconteceu completamente o contrário. Eles me apoiam e até me ajudam na medida do possível para arrumar um namorado.

Por mais que meus amigos são legais comigo, eles são todos héteros, e por causa disso, acabo frequentando mais lugares "heteros". Eles não curtem baladas e bebidas, assim como eu, então vamos mais a restaurantes, cinemas e shows. Esses programas são legais, só que indo apenas a estes tipos de lugares, não consigo ficar com nínguem. Até foi pra balada GLS, mas como não tenho com quem ir, só foi três vezes.

Por fim, estou na procura de um namorado que tem gostos mais parecidos com os meus, mas tá difícil. Qualquer dica serei grato =D."


Bom texto, não é?

Quer escrever também o seu texto, mande e-mail para:
digaxisparaopassarinho@gmail.com ou 26raylight@gmail.com

O texto deve estar no corpo do e-mail, não em anexo.

Ass.: R

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O Lado Sério convoca vocês!



Contamos com a participação de vocês. Mande um texto contando seu lado gay: como foi a primeira vez, descobertas, agruras, felicidades, namoros, família, relacionamento. Qualquer coisa que você queira falar relacionado a sua homossexualidade.

Siga algumas regras:

* Não use palavrões;
* Mande o texto no corpo do e-mail, não mande em arquivo anexo;
* Diga se quer que seja publicado seu nome no texto ou não.

Seguindo estas regrinhas básicas, mande seu texto para o e-mail:
digaxisparaopassarinho@gmail.com ou 26raylight@gmail.com

Aguardem que logo seu texto vai ser publicado.

Não sejam tímidos, usem este espaço.

Ass.: R

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Diário do Leitor


E trazemos mais uma colaboração de nossos ilustres leitores aqui no blog, o leitor Felipe resolveu falar de sua homossexualidade através de um belo texto. Dêem uma olhada:

“Sobre Ser Quem Se É.

Não me lembro da primeira vez que nasci.
Não me lembro se foi bonito, se foi intenso, se foi um milagre. Sei que havia sangue e lágrimas, e que a partir dali eu já morria.
Mas, de qualquer maneira, lembro da segunda vez que nasci, e me lembro bem, com detalhes: sombras, luzes, gosto, cores e som.
Lembro da minha respiração no espelho. Lembro do meu medo - como na infância – do escuro e da solidão.

E acho que é sempre assim quando nascemos. O medo inevitável do que não sabemos, e da vida que teremos que aprender a conquistar – e aprender que é conquistável.

Em minha primeira vida estive grávido de mim mesmo, sem saber.
Dos sonhos que ainda não existiam, ou que resistiam sem mim.
Vivia a plenitude de estar quase absolutamente morto: Aprisionado em um corpo pequeno e frágil, nesta cápsula, nesta casca, nesta máscara em que juravam ver o meu rosto.

Revelar-me foi [ é ] uma atitude corajosa.
Cada dia correndo o risco da solidão, expondo-me ao caráter sádico dos espíritos humanos, ao prejulgamento e aos estereótipos.

Mas eu sou, sabe. Nesta vida mais que na outra: Acho que respiro outro ar agora, vejo em novos espectros de cores, e ando em estranhamento.
Passo após passo, surpreso com as surpresas.
Estranho todos eles. Os estranhos que me vêem sem me ver.

. . .

Naquele dia, contei meu segredo.
Chorei copiosamente e morri um pouco antes de renascer.
No banheiro, enxuguei na camisa meus olhos vermelhos, e vi o reflexo no espelho.
Eu me vi, pela primeira vez.

A maioria das pessoas nasce uma vez apenas, mas eu nasci duas.
Uma vez foi sorte, na outra escolha. Ambas destino.

Eu nasci naquele dia, depois do amor e da dor, e já não tinha nada a ver com isso – com quem se ama ou de que forma o faz – era apenas sobre ser o que se é.

E foi intenso e suave, como presenciar um milagre – só porque era a verdade.”

Maravilhoso o texto, gostei muito. E espero mais.

Quer escrever também o seu texto, mande e-mail para:
digaxisparaopassarinho@gmail.com ou 26raylight@gmail.com

O texto deve estar no corpo do e-mail, não em anexo.

Ass.: R

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Diário do Leitor


Meu amigão E. se empolgou e nos presenteou com mais um texto (veja o primeiro texto clicando aqui). Desta vez ele vai um pouco para o seu passado e mostra suas primeiras experiências emocionais.

Nunca fui hetero convicto. Muito pelo contrário. Sempre soube que gostava de homens. Mas venho de uma família de mais três irmãos homens, que somente conversavam sobre mulheres, carros e futebol. Acabei tendo alguns relacionamentos com mulheres. Namorei, transei e por algumas vezes pensei que seria possível ignorar meu lado homossexual e aceitar a facilidade que era a aceitação da sociedade atual. Pensei, inclusive, que me casaria com minha última namorada. Ledo engano... Hoje ela está casada sim; mas não comigo!

O ano era 2006. Morava sozinho nessa época. Estava quase terminando meu curso de graduação. E estava tendo um, sei-lá-se-posso-chamar-assim, affair com minha vizinha. Mas era 2006 e após um jogo da Seleção Brasileira da Copa do Mundo da Alemanha, minha vida mudou completamente. Como muitos, fui assistir ao jogo na casa de um amigo. Bebemos um pouco e depois do fim do jogo descemos para nos encontrar com o resto da turma. Iria me encontrar com a minha vizinha. Tanto encontrei que fiquei com ela uma parte da noite. Mas também fiquei com mais alguém.

Fora da nossa roda de turma existia uma outra roda de um outra turma. E nessa outra roda, estava aquele que destruiu toda uma conduta que eu praticava há anos.

Nas minhas relações homossexuais, gostava de ter o controle da situação e, para isso, nunca me permitia mais de um encontro com o mesmo cara. Isso me deixava livre para dar "tchau e a bênção" e prosseguir com minha pseudo-vida heterossexual. Lembro de pedidos de namoro no primeiro encontro que sempre me deixavam enojados de mim mesmo. Sempre que saía com outros caras, voltava para casa arrependido e iniciava um processo de auto-flagelação, que me forçava a prometer que nunca mais iria me encontrar com outro cara. Algo dentro de mim lutava contra meu verdadeiro ser e, até aquele momento, era mais forte - sempre vencia. E eu vivia assim.

Me encontrava com um cara e depois passava três, quatro, cinco meses curtindo minha "heterossexualidade". Depois, algo falava mais alto e eu tinha que me encontrar com outro homem. Naquela noite de 2006, eu estava no meu momento heterossexual. Eu, ao lado da minha vizinha, notava que ele me olhava e aquilo estava me deixando muito tenso. E a partir daí, não queria mais estar ao lado dela...

Acordei ao lado daquele cara - tínhamos ido para a casa dele. Ele ainda dormia e eu, acostumado a acordar cedo, sentei-me na cama e fiquei olhando para ele. Pela primeira vez, não tive vontade de sair correndo. Pelo contrário, queria continuar ali, deitado ao lado dele. Mas olhei mais uma vez, dei um beijo de despedida e fui para minha casa, não sem antes deixar o meu telefone em um pedaço de papel. Cheguei em casa e fui tomar um banho. Dessa vez, não me esfolei com uma bucha vegetal e nem escovei os dentes repetidas vezes como sempre fazia ao beijar outro homem. Não chorei debaixo do chuveiro por ter ido para cama com outro homem. Eu percebi no momento que vi aquele cara dormindo, que poderia me apaixonar por outro homem. Não estaria infligindo minha natureza. Estava iniciando meu processo de aceitação. Eu era (e sou) gay! E foi aí que eu senti aquela dor. O soco no estômago. Ou a dor de uma úlcera gástrica. Ainda não sei distinguir...

Valeu, E.

E você, escreve seu texto também. Mande para o e-mail:
digaxisparaopassarinho@gmail.com

Atenção, mande o texto no corpo do e-mail, não mande anexo.

Ass.: R

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Diário do Leitor

E trazemos mais uma colaboração de nossos ilustres leitores aqui no blog, o leitor Guh fala um pouco sobre fidelidade dêem uma olhada:


“Hoje eu estou meio chateado com uma coisa que aconteceu, ai resolvi escrever umas linhas, não conheço muita gente com visão crítica e não conheço muitos gays. Juntar os dois é praticamente missão impossível 4!
Enfim, esta aí meu drama de hoje rsrsrs

Mais uma vez aconteceu...

Hoje ganhei um presente de aniversário. No geral meu presente foi muito bom, mas eu preferia não ter ganhado nada. Conheci esse indivíduo num ambiente de trabalho. Logo que nos vimos percebi seu interesse. Eu tenho um problema sério de corresponder olhares, simplesmente não consigo. Não sei se é vergonha ou medo, ou talvez os dois. O caso é que não consigo ser receptivo a olhares: viro o rosto, esboço um desinteresse e, em momentos de tensão total chego a esboçar desprezo. Culpo-me por ser difícil demais, de ser o próprio culpado de não sair com muitos caras. Na verdade fico até meses sem ficar com ninguém.

Mas o que houve com esse tal, que hoje conseguiu quebrar essa barreira e me conhecer um pouco? Bom, essa foi uma das raras vezes em que consegui ser mais forte que o medo e a vergonha e corresponder. Por que preferia não ter ganhado meu presente? Bom, ele era casado. Péssima coisa de se saber do cara que você acabou de transar. Ainda mais se você é daqueles que tem fé num relacionamento baseado em confiança. Pra essas pessoas, assim como eu, é como uma rasteira. Para os mais dramáticos, assim como eu, é algo meio Maysa “Meu mundo caiu”.

Fiquei sabendo desse detalhe matrimonial minutos depois do fato consumado, numa conversa casual. Naquela hora me senti o pior dos seres, mas engoli o gosto azedo da decepção e, apesar de querer virar pó ali mesmo, fiz uma cara de curiosidade e o perguntei o porquê da traição. Ele alegou que gostava muito do seu marido, mas que ele não o completava (lê-se: não o satisfazia na cama). Senti-me mal por ser aquele que foi procurado para preencher o vazio que ele não satisfazia em casa.

Depois, sozinho num ônibus e refletindo, percebi que me envolvi sexualmente com poucos homens e todos eles tinham um tipo de compromisso, seja um namorado, um marido ou ainda esposa, namorada. Pensei comigo mesmo “Porra, mas eu sou muito pé frio”. Não sei se tenho algum imã pra gente comprometida que só quer casualidade quando eu quero mesmo é distância disso ou se tenho uma inscrição na testa dizendo “casados, aqui”.

Enfim, auto piedade à parte, fiquei pensando que o mundo está cheio de gente insatisfeita em seus relacionamentos. Por que tantos homens e mulheres acabam procurando em desconhecidos satisfação que não encontram mais em seus companheiros e companheiras? Entendo que é difícil resolver essa charada. Há sentimentos em jogo: muitos amam seus parceiros e não estão dispostos a terminar o relacionamento e, contar que gostariam de fazer sexo com outras pessoas de longe uma das coisas mais desagradáveis de se contar. Pior ainda deve ser ouvir isso do ser amado.

Nesses momentos a tristeza bate porque eu, como ser que nunca teve um relacionamento sério, perco um pouco a esperança de encontrar alguém que valha à pena, fico mais desconfiado de quem se aproxima e menos empolgado com os homens ao meu redor. Mas não aceito isso como minha realidade. Pra isso eu faço birra, bato o pé e continuo procurando aquele cara que será O CARA. Não sei se sou muito iludido ou estou em negação, mas se não encontrar meu CARA, acho que vou morrer nessa fantasia. Rs”

Adorei o desabafo do leitor e fico meio triste sobre a infidelidade. Mas, cada cabeça uma sentença.

Quer escrever também o seu texto, mande e-mail para:
digaxisparaopassarinho@gmail.com

O texto deve estar no corpo do e-mail, não em anexo.

Ass.: R

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Diário do Leitor

Hoje a seção Diário do Leitor traz uma participação especial, um grande amigo meu que surgiu na internet, e apesar de nossos tempos não deixar um maior contato, espero que seja uma amizade bem duradoura. Saiba mais dele clicando aqui.

Agora chega de papo e vamos ao texto do E.:



"Primeiramente, gostaria de parabenizar aos grandes amigos R. e L. pelo blog. Como muitos, leio o blog e fico muito feliz com os diários do casal e as informações sempre relevantes que o R. nos passa. E ainda fiquei muito surpreso e grato com o convite feito para que nós, leitores do blog, pudéssemos compartilhar nossos medos, angústias, alegrias e, é claro, nossa biografia!

Gostaria então de relatar algo que recentemente aconteceu comigo. Na verdade, não foi um fato em si, e sim, um sentimento que me tomou e acredito que já deve ter tomado muitos gays.

Mudei-me para BH após algum tempo trabalhando no interior de Minas. Trabalhar em cidades de 8, 10 mil habitantes requer uma conduta estritamente profissional, em que não cabe detalhes da sua vida pessoal nem mesmo nos momentos de lazer no cafezinho. E foi assim: após 1,5 anos trabalhando no interior, apenas uma colega de trabalho soube que eu era gay e conheceu o meu namorado. Transferi-me então para a capital para continuar meus estudos.

Passei a integrar então uma equipe de trabalho com sete pessoas no total. Quatro mulheres e três homens. As mulheres ou eram noivas ou eram casadas. Dos homens, somente eu não era casado. Meus dois outros colegas de trabalho exibiam duas grandes alianças douradas que simbolizavam sólidos casamentos. Porém, qual foi minha surpresa, quando durante a primeira confraternização da equipe, um dos meus colegas chegou acompanhado pelo seu marido. Casado há oito anos, esse colega nos confidenciou que há muito havia se assumido gay e “casado” com seu esposo. Naquele momento fui tomado por um estranho sentimento de maioria. Afinal, dos três homens daquela turma, dois eram gays, e acreditei que por isso, nada me atingiria. Poderia ser eu mesmo sempre, que a tal maioria, como acontece em todas as sociedades democráticas, me defenderia de qualquer situação, até mesmo constrangedora. Na verdade, criou-se uma empatia e confidencialidade em toda turma e a questão da sexualidade nunca foi levada em consideração quando, por exemplo, algum engano ocorria durante as tarefas. O fato de ser gay, não foi determinante em nenhuma das decisões. A sexualidade era pano de fundo somente para conversa de boteco. Tudo bem que ser maioria me deu coragem para não me esconder como fazia quando morava em uma cidade do interior. Carinhos em público no meu namorado, demonstrações de afeto dentro do carro, enquanto aguardava o semáforo abrir. Nada agressivo. Tudo isso possível ao sentimento de fazer parte de uma dita maioria.

Um tempo depois, porém, este mesmo colega, que me possibilitou ter esse sentimento “estranho”, por motivos pessoais, pediu transferência para outra instituição. Levei uma “rasteira”. Depois de um tempo como maioria voltei a ser minoria. Sim, porque na nossa sociedade ser gay é sempre ser minoria. E havendo agora um heterossexual e eu, homossexual, sempre me tratariam como a minoria, mesmo estando um a um. Pelo menos foi o que eu pensei no primeiro momento. Foi esse sentimento que me consumiu de forma totalmente ingênua e infantil.

Um tempo depois me re-encontrei com esse colega. E confidenciei a ele essa mutação de sensações. Mais vivido, ele friamente me analisou e disse: “Não acho que ser maioria ou ser minoria esteja em questão. Você não foi aceito por que eu também sou gay. Eu sou muito diferente de você. Você foi aceito por competência. Assim como eu. Você se deu muito pouco crédito...” Fui para casa e fiquei pensando nessas palavras. Conversei depois com alguns desses colegas – com aqueles com quem tinha mais intimidade e todos foram unânimes em afirmar que nunca consideraram minha sexualidade em qualquer questão relativa ao nosso convívio. E fui para casa feliz. Sem me importar se era maioria ou minoria. Afinal, depois de ter estudado, formado, trabalhar para ganhar meu próprio dinheiro, não deveria levar em consideração a minha sexualidade para o meu sucesso profissional. Minha sexualidade não pode e não deveria interferir na minha vida profissional. Afinal, eu não assumo minha posição profissional por ser gay. Eu sou gay e trabalho...

E foi assim que virei mais uma página da minha vida. E solidifiquei mais um alicerce. E para não fugir dos clichês, concluo com a mensagem de um filme do qual sou muito fã (lembra dessa R.?): não importa quem você é, é o que você faz que o define. Levo isso sempre na minha vida – pessoal ou profissional. Tanto faz..."

Valeu pelo texto, amigo.

Ass.: R

terça-feira, 20 de julho de 2010

Diário do Leitor

E trazemos mais uma colaboração de nossos ilustres leitores. Hoje a palavra esta nas mão de Guh, que fala um pouco sobre preconceito e o medo de ter trejeitos gays. Vejam o texto:


"Me motivei a escrever este texto, e antes de qualquer coisa queria te dizer que meu texto não é um ataque pessoal à você na verdade ele concorda com o seu. ele só tem a intenção de ser mais expansivo e compreensivo. Até porque concordo plenamente com o R., principalmente quando ele diz que grande parte destes “clichês gays” é inventada pela mídia.

Eu fiquei meio sensibilizado pelo brutal assassinato do menino de 14 anos (nao sei se você soube) numa cidade perto de onde moro aqui no RJ.
Ok, eu fiquei muito sensibilizado. rsrs
É nessas horas que me vêm os piores sentimentos, principalmente os de medo e angústia.

Entendo quem queira ir totalmente pelo caminho oposto dessa imagem propagada. Mas o que eu gostaria mesmo seria uma imagem do homem gay (e também da mulher gay, que na maioria das vezes é vista como a “caminhoneira”) livre de qualquer imagem, seja ela do homem másculo, seja ela do homem afeminado, seja ainda do drama Queen.

Eu digo isso porque tem umas semanas que tive que filmar um trabalho. E ao rever as filmagens eu percebi que eu não tinha um jeito excêntrico como eu imaginava. Na verdade eu tenho certos trejeitos. E quando eu percebi isso fiquei bastante desconcertado, achei esquisito. Fiquei uns dias me sentindo mal com isso, até me policiando, sendo o mais apático possível. É fácil imaginar que não deu certo. Ir contra nossa natureza é extremamente frustrante. Comigo foi uma tortura e eu logo me enchi de bancar o cidadão blasé.

Então, depois de mais uns dias olhando para o espelho e me achando a criatura mais medonha da face da terra, eu percebi que todos somos normais. Ser o gay sem trejeitos que surpreende a todos, ser o gay afeminado que dá aquela escorregada, ser o gay afeminado que gosta de dar pinta, ou ainda ser o gay drama Queen que usa maquiagem e dá a louca quando ouve sua Diva na balada, todos esses são normais.

Eu falo isso porque eu acredito sinceramente na idéia de união. Não apenas de uma união gay, porque nós sabemos que o caráter é imune à sexualidade, mas uma união por sermos todos humanos e mesmo sendo diferentes nós ainda sofremos discriminação na rua, ainda somos xingados e ainda somos assassinados por pessoas que não compreendem a nossa forma de amor ou não tiveram a coragem de se aceitar."

Gostei do texto, Guh. E compartilho um pouco de sua opinião.

E você, leitor? Que tal participar e dar sua opinão também, ou contar algo sobre seus descobrimentos. Qualquer coisa, estes espaço já esta reservado para você. É só mandar um texto no corpo do e-mail (não mande arquivos anexos) para:
digaxisparaopassarinho@gmail.com

Ass.: R

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Diário do Leitor

Bom, voltamos com a mais nova seção no blog, onde você pode desabafar, contar algo de sua vida ou apenas dar um pitaco sobre homossexualidade. Um espaço aberto para você leitor escrever.

Vejam mais uma participação de nossos leitores:



"E ai rapazes !! Como vão nessa vida de casados ai em Sampa ??! ;D

Estou vivendo um momento um pouco confuso e um tanto triste na minha vida, e lendo o blog de vocês resolvi escrever, como uma maneira de ligar essa válvula de escape que eu estou tão necessitado em ligar...

Primeiramente gostaria de dizer que eu adoro o blog de vocês, acho que já faz aproximadamente uns 2 ou 3 anos (não sei exatamente) que eu acompanho as postagens que vocês fazem, tanto pelo DXPP, quanto pelo "Lado Sério". Admiro muito o relacionamento de vocês, muito mesmo. Quantas e quantas vezes até chorei lendo. Vivo sonhando com o dia em que terei um relacionamento tão bonito, tão sério, tão verdadeiro quanto percebo que é o de vocês.

Vocês fizeram parte do meu amadurecimento como pessoa cada vez que eu lia aqueles textos falando de namoro, amor, cumplicidade, casamento, amizade, família, etc... são verdadeiros ensinamentos! Vocês podem até pensar que é bobagem, ou não sabem a dimensão, ou podem até ter consciência dela, mas o blog de vocês serve de exemplo para muita gente em muitos cantinhos desse Brasil. Me sinto honrado de ser uma dessas pessoas!!

Bom, vamos lá. Tenho 18 anos e não posso dizer que tenho experiência em namoros! Sou um cara um tanto tímido e ate hoje só namorei 1 vez, e por sinal com a pessoa q eu fiquei pela primeira vez na vida! Acredito que todo mundo, ou pelo menos todos os gays, sabem desde pequenos que são diferentes dos outros garotos. Acredito que muitas das vezes esse sentimento fica lá no fundo da gente, armazenado, só esperando o que a vida tem a nos reservar para termos certeza do que realmente gostamos: homens ou mulheres.

Comigo foi mais ou menos assim. Até hoje só namorei com uma pessoa e era uma garota! Foram 3 anos de um relacionamento maravilhoso, estável, maduro e de muito companheirismo! Porém já fazem 8 meses q terminamos. Não saímos brigados nem nada, pelo contrario, cada um seguiu sua vida na certeza q seriamos eternamente amigos e que poderíamos contar um com o outro em qualquer coisa!

Sou e sempre fui uma pessoa de muitos princípios, muito sério e correto com as pessoas. Sou muito entregue quando o assunto é o próximo, jamais sou superficial em relacionamentos: sou de me sacrificar, me privar. Sou romântico, muito carinhoso, gosto de falar o que sinto, tomo o máximo de cuidado para não machucar ninguém e sempre espero que a pessoa faça semelhante comigo, porque gosto de me sentir querido da mesma forma que faço aqueles quem me cercam, sentirem-se especiais... enfim, esse sou eu!!

Acontece que me mudei de cidade esse ano por conta de estudos e estou morando praticamente sozinho. Tudo novo na minha vida, longe dos meus amigos, da minha família, meio isolado, acabei percebendo que realmente gosto tanto de homens como de mulheres, ou seja, sou bissexual. Não disse pra ninguém isso, nem pretendo dizer pois não estou disposto a arcar com preconceito ainda, mas tenho maturidade suficiente e estou aberto a algum cara que queira me conhecer e, se de repente acontecer, da gente namorar!

Foi com esse pensamento que eu acabei conhecendo um cara aqui na cidade há algumas semanas atrás. A gente se conheceu, ambos sabíamos da nossa condição, tivemos uma química muito forte, e acabamos ficando durante alguns poucos dias... Passamos a noite do dia dos namorados juntos, jantamos, ficamos... Foram dias maravilhosos pra mim, mesmo que poucos! Era tudo uma novidade, tudo muito diferente mas ao mesmo tempo divinamente mágico.

O problema começou quando ele praticamente começou a sumir, não telefonava, não mandava mensagens, não entrava no MSN. Fiquei bastante chateado... atualmente nos falamos apenas por MSN (e nem é com freqüência) e ele vive inventando desculpas, e já faz bastante tempo que não nos vemos mais... O que me deixou mais triste em toda essa historia foi o quanto ele falou que tinha gostado de me conhecer, tantas coisas carinhosas, tantas palavras de afeto e promessas de que não queria brincar comigo, e sim desenvolver algo mais sério, e no fim das contas acabou agindo como se nada tivesse existido, fugindo, se esquivando.

Chego a pensar que minha imaturidade e inexperiências com garotos talvez tenham assustado ele a principio, minha vontade de tê-lo, minha procura por ele, algo assim pode realmente ter afastado ele de mim... mas algo me diz , e acho muito mais provável também, que foram mentiras contadas pra me impressionar e me fazerem ficar com ele naqueles momentos...

Acho isso a mais pura frieza, porque não é crime nem errado querer ficar com alguém por uma noite e curtir o momento apenas, mas para fazer isso , é preciso que fique bem claro, e evitar fazer promessas, uma vez q outra pessoa pode estar procurando alguém com seriedade e acaba vendo nessas promessas uma esperança de q dê certo.

Foi ai que eu percebi que eu precisava passar por tudo isso, e sofrer, sofrer muito, para que eu evoluísse, amadurecesse, percebesse que em todo relacionamento existem pessoas não tão boas assim (bom senso e bom caráter), que é necessário filtrar tudo o que se ouve ao conhecer alguém novo e que jamais, JAMAIS, se pode esperar q um relacionamento novo possa atingir um nível de cumplicidade que você deseja, mesmo que a principio. Aprendi a gostar, curtir o momento, conhecer bastante e depois pensar em se apaixonar, pois caso contrário, o arrependimento pode ser muito grande e bastante doloroso... Lições que eu nunca tive que aprender durante a vida, mas q me vieram na hora certa...

Bom, espero que vocês tenham gostado do meu desabafo, confesso que estou muito mais aliviado! Hehehe

Apesar da decepção, tenho esperança de encontrar alguém que valha a pena, pois sou um verdadeiro amante das paixões, e tenho muita vontade de ser feliz com alguém que eu realmente goste e q essa pessoa tenha um sentimento recíproco em relação a mim, aliás, quem não tem vontade, não é mesmo ??!

Para finalizar, gostaria de mandar um abração pra vocês dois, R e L, um grande exemplo para mim, e desejar muitas felicidades pro casal! Muitas mesmo, de coração! Tentei resumir ao máximo os acontecimentos, mas eu acho que a essência do aprendizado foi preservada, e ela é realmente o que importa!!

Até maaaiiss!! E Feliz aniversário L. !! Que você viva muitos e muitos anos... de preferência ao lado do R. (frase copiada e modificada descaradamente rsrsrs)"

Valeu muito pela participação, amigo.

E você, leitor. Use este espaço. Mande texto no corpo do e-mail, não mande arquivo anexo. E junte ao Lado Sério. O e-mail é:
digaxisparaopassarinho@gmail.com

Ass.: R

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Diário do Leitor

Bom, estreamos esta nova seção no blog, onde você pode desabafar, contar algo de sua vida ou apenas dar um pitaco sobre homossexualidade. Um espaço aberto para você leitor escrever.

Vejam o primeiro texto:



Olá Caríssimos R & L do DXPP.

Meu nome é Willian Alves, tenho 21 anos, e acompanhando os blogs de vocês não pude deixar de reparar nas mudanças de 2 anos de blog. E conforme pedido estou mandando a colaboração do leitor para o DXPP, O lado sério. É sobre como me assumi para a pessoa mais importante da minha vida, a minha mãe!

Sempre soube que era “diferente” e desde pequeno sempre admirei corpos masculinos, fui crescendo e essa admiração, passou a ser atração. Sempre guardei isso pra mim, pois meu pai sempre foi muito ignorante em relação e esses assuntos, típico de sua criação. Fui crescendo e sempre sentido essa atração misturada com curiosidade sobre os homens. Sempre fui indignado com a postura machista do meu pai, sobre os mais diversos aspectos. Os anos foram passando e em 2007 meu pai veio a falecer e claro que não fiquei feliz, mas vi ali uma luz no fim do túnel. Sempre acreditei que minha mãe por viver tantos anos ao lado de meu pai, tivesse adquirido aquela cultura machista e preconceituosa dele. Mas conforme o tempo foi passando, ela se recuperando do acontecido, vi que ela não era como ele, e sim satisfazia os desejos dele. Minha mãe se mostrou uma pessoa aberta, totalmente diferente do que pensava, mas ainda tinha receio de contar pra ela sobre minha homossexualidade. A essa altura já estava saindo mais para a noite, conhecendo pessoas novas, mas sem nenhum envolvimento com ninguém.

Estava “feliz” do jeito que estava. Só que desde o começo desse ano de 2010 estava me sentindo triste com tudo isso, perdi alguns amigos e tive tempo pra pensar no que poderia fazer pra ser feliz novamente, e decidi que assumir ao menos para a minha mãe sobre minha condição era o que eu precisava fazer, amadureci a idéia, pensei nos prós e contras, em argumentos, em praticamente tudo. Esse planejamento durou 6 meses, e decidi que contaria quando entrasse de férias na universidade, dito e feito, no dia 24 de Junho de 2010, ou seja, semana passada, resolvi contar a verdade. Passei o dia em casa pensando na abordagem que faria a minha mãe, ela passava por mim e perguntava por que eu estava tão triste, que se tivesse alguma coisa pra falar que eu podia contar pra ela. Sempre que me aproximava pra contar, eu começava o discurso, mas na hora eu simplesmente travava e não falava nada. Já a noite, sentei ao lado dela no sofá e ela me perguntou sobre alguma novidade no meu dia, e eu disse que tinha uma que talvez ela não fosse gostar, ela me perguntou o que era e simplesmente travei de novo, fiquei de cabeça baixa e ela me olhando e indagando o que era que eu tinha para contar, ela se levantou, foi até a cozinha e voltou me dando um abraço, percebeu que lágrimas caiam de meus olhos, voltou a sentar-se do meu lado e continuou me olhando, ela pegou em minha mão, e perguntou se eu era gay, eu não conseguia falar, apenas confirmei com a cabeça e desabei a chorar, ela então rapidamente me puxou para o seu colo e disse que estava tudo bem, que ainda me amava do mesmo jeito e que não ia me bater ou me colocar de casa pra fora. Fiquei surpreso com a reação dela e não conseguia falar nada, encostado em seu peito senti que ela não estava contente com aquilo, mas que não poderia fazer nada, visto que aquilo não era um pedido de “Eu posso ser Gay?”. Ela me abraçou me confortou fez algumas perguntas que eu respondia aos prantos. Por mais que estivesse chorando, estava explodindo de felicidade naquele momento. Pedi que ela não contasse a ninguém e que deixasse que eu mesmo contasse pro meu irmão mais velho, que mora conosco, e que quanto aos demais familiares contaria quando me sentisse a vontade, ou que descobrissem por conta própria, ela concordou e me apoiou, disse que não contaria nada a ninguém e que estaria sempre ao meu lado.

Depois de todo esse “desabafo” o que tenho a dizer é o seguinte: Aos que vivem no armário, ou como eu costumo dizer vivem num teatro, que pensem bem no que estão fazendo com suas vidas, manter uma mentira para agradar os outros não é melhor maneira para se viver, você está apenas se enganando, sofrendo calado para manter a satisfação de alguém, claro que nem todos vão ter o apoio que eu tive, e quem nem todos os pais e mães reagirão da mesma maneira, mas é importante que você esteja feliz consigo mesmo. Muitos podem estar fazendo uma tempestade num copo d água assim como eu fiz, e mal sabem eles que a reação das outras pessoas pode ser mais natural do que imaginamos. Resta pensar bem, considerar todas as possibilidades e decidir entre ser feliz do jeito que está ou lutar para mudar.

Valeu muito pela participação, Willian.

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Ass.: R

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