quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O Outro Diário de Bordo 4: sozinho na multidão... ou não?


O Diário do L. 1 | 2 | 3
O Diário do R. 1 | 2 | 3 | 4 | 5

Claro que eu sempre soube, muito claramente e com pouquíssimas dúvidas, que era gay. Entretanto, até minha primeira "verdadeira experiência sexual com outro homem" (quer saber mais, volte um episódio da segunda temporada desta nossa sitcom), não posso dizer que vivi meu homossexualismo da forma que deveria. O primeiro fator, óbvio: medo. Afinal, como um rapazolinha de 15 anos, sem qualquer conhecimento no meio, poderia sobreviver em um universo desconhecido e historicamente ingrato que é o mundo gay? Lia sobre gays vítimas de toda espécie de crimes de ódio, ouvia os comentários anti-"bichas" vindos de gente próxima, falava-se bastante da AIDS e eu simplesmente morria de medo de ser o próximo "alvo" de todo esse blá-blá-blá.

O envolvimento rápido, intenso e apaixonado com o E. abriu definitivamente a porta do meu armário pessoal (olha, gostei dessa!). Quando eu e o E. nos distanciamos e nossos encontros conseqüentemente cessaram, fiquei meio perdido, sem saber o que fazer, o que procurar e onde procurar.

Inicialmente, as revistas voltadas ao público GLBT tornaram-se meu refúgio: fiz amizade com uma velhinha dona de uma banca de jornais e todo mês, morrendo de vergonha e com o coração praticamente explodindo pelo peito tal qual o Alien quando nasce (!), eu batia cartão lá na véia para discretamente e silenciosamente adquirir as "novidades", desde publicações como a clássica G Magazine e a saudosa Íntima, até as mais podreiras como Internacional e aquelas revistinhas de fotonovelas. Consideremos que, em 1995, não havia a Internet como é hoje e as "aventuras" de sujeitos como Leo Giamanni, Chris Rockway e Marcelo Cabral eram quase inacessíveis a nós, pobres bichinhas brazuquinhas. (Sim, eu sei o nome de alguns astros pornô-gay. Hehehe!) :-D

Pena que, depois de ler as revistas (e me aliviar com elas, hehehe), não tinha outra saída a não ser dar fim em tudo - não adiantaria pilomba nenhuma tentar esconder os "vestígios" da minha condição, certamente eu seria descoberto em no máximo 20 minutos. Olha, se tivesse guardado todas as publicações pornô-gay que comprei e joguei fora, hoje precisaria de um apartamento só para elas! :-)

Claro que em pouquíssimo tempo esta válvula de escape já não era suficiente. Não queria mais viver minha sexualidade na base da "descascada de banana"; eu queria viver MESMO. Queria beijar alguém, queria transar com alguém, queria extravasar todo meu tesão. Acima de tudo, queria conhecer e estar perto de gente como eu - em outras palavras, não queria mais ficar sozinho. Mas não fazia idéia de como procurar. Como encontrar meu mundo?

Passei a prestar mais atenção nos anúncios das revistas que comprava, e um destes anúncios me levou a uma sauna gay que prometia ser "a casa dos mais belos homens que o litoral já viu", mas na prática estava entupida de caras mais velhos e ultrabizarros e garotos de programa tão ou talvez até mais estranhos do que os freqüentadores. Em questão de minutos, quatro sujeitos que deveriam ter quase um século de vida cada um (!) exibiram suas partes murchinhas para mim (!!) e um deles, dizendo que adorava menininhos e "precisava me possuir" (!?!?!), quase me agarrou à força. Nem preciso dizer que saí de lá sem chegar perto de ninguém e sem qualquer intenção de voltar...

Certa ocasião, cabulei aula e fui ao cinema sozinho, em plena segunda-feira à noite. Cinema quase vazio, com no máximo 8 ou 9 pessoas, incluindo um sujeito bastante alinhado e bonitão, quase um apresentador de telejornal, e uma namoradinha qualquer a tiracolo. Fui ao banheiro, fui seguido pelo sujeito e, para minha surpresa, sem qualquer diálogo, troca de nomes ou coisa que o valha, partimos para um rápido sexo oral mútuo, só para que eu pudesse ir embora correndo em seguida, apavorado, morrendo de medo por conta do risco de se trancar em um canto com alguém que não conhecia e também pela falta de proteção durante o ato. Definitivamente, não tive muito talento para banheirão. Hahaha!

(Mas como todo Zé Mané sem vergonha alguma na cara, devo confessar que superei o medo e voltei ao cinema algumas vezes, na esperança de que o tal "apresentador de telejornal" estivesse por lá para me satisfazer com mais uma sessão de sexo oral, o que obviamente nunca aconteceu.)

Este evento, porém, acendeu uma lâmpada na minha cabeça: os gays, na verdade, estavam espalhados por todos os cantos, escondidos sob as mais variadas e indiscutíveis máscaras. Minha busca seria, provavelmente, muito mais fácil do que imaginava. Tudo o que precisava fazer era abrir os olhos, olhar com mais atenção. O que nos leva ao sujeito que identificarei por aqui como F.

F. era um marmanjão no alto de seus 35, quase 40 anos, morava no litoral de São Paulo com a noiva (dentista) mas trabalhava na capital (delegado de polícia). O rosto do Ben Affleck (com o indefectível cavanhaque), a barba cerrada do Eduardo Moscovis e o corpo gostoso-porém-fora-de-forma do Murilo Benício no Força Tarefa. Ou seja, cara de homem MESMO, e uma das pessoas mais safadas na cama que já conheci, por mais que fosse dono do menor pênis que já vi (e quem disse que "tamanho é documento", né não? hehehe). Descobri o F. porque ele bebia cerveja no mesmo boteco onde eu e meus amigos de cólegio fazíamos nosso happy-hour toda sexta-feira. Trocamos olhares, estes olhares duraram algumas semanas e, quando finalmente consegui driblar os amigos e ir ao boteco sozinho, ele estava lá e veio falar comigo.

Eu não sou gay, ele disse, só curto umas "brincadeiras". Eu também, respondi. Você me lembra um amigo de faculdade, ele disse, um amigo que dividia um quarto comigo e com quem eu costumava "brincar" bastante. Procuro alguém para "brincar", ele disse, e você é um cara bem legal. Também procuro alguém sem compromissos, respondi. Minha noiva trabalha o dia inteiro e eu trabalho só à noite, ele disse, que tal irmos para a minha casa? Com muito medo, mas tentadíssimo pela possibilidade de ter alguém para transar sem qualquer vínculo de amizade ou afeição, aceitei.

Nossos contatos eram simples: ele ligava para a minha casa, identificando-se como "um amigo", marcávamos um horário e F. me buscava em algum ponto neutro. Enquanto a noiva trabalhava, passávamos duas ou três horas transando na cama deles, e aquilo me incomodava demais, me fazia sentir a pior das pessoas pela simples questão da traição - e também pelo pavor que tinha de imaginar que ela poderia, a qualquer hora, aparecer por lá por "sair do trabalho mais cedo" ou algo do gênero.

Por outro lado, o F. era perfeito porque era muito bom de cama, e também porque não queria qualquer envolvimento além do sexo em si, ou seja, ótimo para quem, como eu, não queria de forma alguma ter um pseudo-namorado no pé para não dar bandeira. O problema é que não precisei de três encontros para ficar totalmente GAMADO - o que destoava totalmente de nossa proposta inicial.

A única solução viável seria acabar com os encontros. E parece que o F. sentiu a mesma coisa visto que, em nossa última transa, ele decidiu que não deveríamos mais nos encontrar. Não sei qual o motivo que o fez chegar à esta conclusão, talvez peso na consciência, sei lá. Concordei imediatamente, aliviadíssimo, mas não posso negar que sofri bastante. Na verdade, F. foi o primeiro cara que conseguiu me fazer chorar. Com ele, aprendi que o mundo gay pode ser bem cruel, não por conta dos crimes de ódio ou por preconceitos, mas porque caiu a ficha de que um relacionamento homossexual, seja sério ou descompromissado, seja às claras ou totalmente furtivo, jamais poderia ser vivido de forma tão simples como um relacionamento hétero. A certeza de que ainda me machucaria muito somente por ser gay doeu pacas. Nunca mais vi ou soube do F.

Bem, de volta à estaca zero, e ainda louco para encontrar minha "turma". E foi aí que descobri que minha cidade abrigava um dos maiores e mais comentados pólos gays do estado, e eu nem sabia disso! Mas esta é uma outra história, e fica para a próxima. ;-)

Ass.: L.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Um Casal em Sampa – Parte 1 – A Mudança


Sim, ela enfim aconteceu. Sábado nos despedimos da cidade litorânea de Santos, e fomos viver como casados em São Paulo, onde dividimos um apartamento com um primo, que também é gay e por enquanto, esta solteiro.

Como toda a mudança, imprevistos acontecem, horários marcados acabam sendo atrasados. E por fim, fizemos a mudança com quase seis horas de atraso. Chegamos quase a noite em Sampa, e nosso quarto ficou um tremenda bagunça nesta primeira noite.

Outro problema, por razões de economia compramos uma cama Box, que pelo seu tamanho, não pode ser transportada pela escada ou pelo elevador. Conclusão, ela ficou no salão de festas do prédio, e estamos esperando a manutenção de elevadores, para transportá-la por cima do elevador.

Para dormir, dois colchões de solteiro improvisados para servir de cama, e toda a noite a esperança de enfim dormimos numa cama de casal.

Mas, calma, parecem que as coisas foram terríveis, mas nem tanto. Graças a amigos e uma grande prima (e seu marido), conseguimos chegar com todas as nossas coisas em Sampa.

O desconforto de dormir com um colchão no chão, foi todo suprimido quando acordei na madrugada e meu namorado (agora, marido) estava deitado ao meu lado. Depois desta cena a gente esquece tudo.

Sem contar com o apoio do meu primão (que também tem blog, vejam cliquando aqui) e o domingo hiper agradável e divertido que tivemos com ele e com outra prima também moradora de terras paulistas. Que terminou com muitas risadas e esfihas no Habib’s. Sem contar com os amarulas, choconhaques e frozens servidos na nossa nova casa.

No modo geral, apesar de todas adversidades, este começo de vida em Sampa esta sendo uma experiência incrível. Em que qualquer dificuldade no meio deste caminho poderá ser facilmente ultrapassada.

Fiquem ligados, que em breve mais detalhes desta nova vida em Sampa.
Ass.: R

sábado, 25 de julho de 2009

Em Contagem Regressiva


Hoje falta exatamente uma semana para eu sair da cidade e ir morar com meu namorado, que por conseqüência irá virar meu excelentíssimo marido. Para quem não sabe, dividiremos com meu primo (que também é gay) um apartamento em São Paulo.

Bem ontem demos um passo hiper importante, compramos nossa cama. No começo dos planos, estávamos pensando em comprar um colchão e dormir com ele no chão, para cortar gastos. Mas, chegamos a um consenso, já que vamos iniciar uma vida de casados, nada como ter uma cama.

Sim, nós dois cortaremos laços grandes para poder dar este passo, até brinco com o L. que em grande parte, isto tudo será um grande e às vezes doloroso parto. Mas, como um grande amigo meu falou pelo MSN através de um trocadilho médico: “a dor parto é grande, mas temos que partir!”. Então não seria legal chegar em casa e ver que iríamos dormir no chão, a melhor impressão e chegar em casa e esta esperando nossa caminha.

Sei que a vida de casal não é um eterno paraíso, mas é uma evolução. Não quero passar a vida inteira vivendo com minha mãe e vendo meu namorado nos fins de semana. Já teremos seis anos de relacionamento, que completaremos amanhã. Pode haver conflitos, preconceitos, perda de amigos, mas iremos dar este passo... custe o que custar.

Deseje-nos sorte.

Ass.: R

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Quando vem o choro


O choro em certas situações não é ruim, ele lava a alma. O choro por vir da alegria, da tristeza, da saudade ou do partir. Estes dias estou assim, choroso, mas nada tão para baixo... ou não tão para cima, apenas choroso.

Estou passando por uma fase difícil, mas que estará ganhando uma nova mão de tinta em pouco mais de uma semana. Serão novas dificuldades, e até pode vir novos choros, mas desta vez não preciso chorar sozinho, posso sim chorar abraçado da pessoa que aos poucos é mais linda e importante da minha vida.

Então, se puder, chore. Não para se lamentar. Mas, para deixar as magoas de lado e lavar o que tem de ruim. Isto não afeta sua masculinidade ou te torna sensível demais, apenas te torna mais humano. Pois se um dia você não puder mais chorar, e por que, com certeza, você parou de sentir.

Ass.; R

Ps.: Desculpem quem achou esta imagem que usei no post meio pornográfica, pois quando a vi, só a achei muito bonita.

sábado, 18 de julho de 2009

Dicas de Filmes: Les Chansons D'Amour e C.R.A.Z.Y

"Les Chansons d'Amour" é um filme francês (obvio) dirigido por Christophe Honore. Como o título já fala, é grande parte um musical onde vemos canções de amor francesas. Se você não curte musical, nem passe perto.

O personagem principal é vivido por Louis Garrel (aquele que ficou peladão em "Os Sonhadores"), que mora com uma moça, que tem um caso lésbico com outra moça. UM acontecimento na história acaba separando o trio, e Louis acaba sendo insistentemente seguido por outro rapaz.

E já viu, como tudo acaba...



Se você quer assistir, tem que gostar muito de musical, pois as musicas são todas em francês.

Veja também...

Uma ótima dica de filme de temática GLS é "C.R.A.Z.Y. - Loucos de Amor". O filme gira em torno de uma família e seus cinco filhos. Um drogado, um gay, um nerd, um esportista e mais tarde o caçula. E a relação do pai com eles, o da um foco maior no filho gay, que assim como o pai, tenta fugir desta realidade.

Muito interessante, pois ao passar do tempo, o filme mostra os movimentos músicais, e o envolvimento do filho gay. O bom dele, que ele foge bem dos clichês de películas gls, e mostra de maneira bem realista sobre as duvidas sexuais.

Pois, parece que todos os gays que aparecem em filmes são bem resolvidos ou afetados ao extremo.



Com certeza vale a ida a locadora.

Ass.: Ray

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Causos da Vida: Três Solteirões e um Padre.


Calma, se pensa que vai encontrar um conto erótico envolvendo uma orgia gay com um padre, pode tirando seu cavalinho da chuva. E os solteirões, era só uma brincadeira com o nome do filme “Três Solteirões e um Bebê.”, pois dois deles (eu e meu namorado) estão prestes a se casar ;)

Bem a história foi bem bizarra. Minha prima foi casar, naquele festão em um clube enorme, só que o seu marido já havia sido casado antes, então não poderiam chamar um padre católico para a cerimônia. Então foi chamado um padre de uma religião cristã americana.

Após os atrasos normais (ao qual deixou o padre impaciente), enfim a cerimônia aconteceu, apesar das diferenças da cerimônia católica, são bem parecidas, e foi aquele velho choro de tias e tios, emoções a parte.

Depois de tudo, o noivo chegou para meu namorado (que estava de carro) e perguntou se ele poderia levar o padre após a cerimônia. E ele aceitou, e lá fomos nós dois, e vi o meu primo e o chamei para vir junto... e por acaso este primo também é gay.

Fomos eu e meu namorado na frente, e meu primo atrás. Para acabar com o silencio sepulcral, meu namorado começou a puxar papo, e acabamos descobrindo que aquela “santa” figura era bem safadinha por sinal. Ele vivia perto da praia, e morando com uma menina de 18 anos... sendo ele já de uma avançada idade.

Se achava o gostosão... se pelo menos fosse o Padre Fabio Gostoso de Melo :P

Perguntamos sobre os pais da menina, e ele disse que ajuda com dinheiro e com cestas básicas... quer dizer, para ficar com sua jovem “esposa” ele subornava os pais dela que viviam numa das favelas da cidade. É claro que na hora, caiu nossa ficha pelo que ele comentava, que a tal menina não tinha 18 anos, e sim, menos do que isto.

Mudamos de papo, e ele começou a falar das várias cerimônias que ele fez, que incluíram até casamentos coletivos. Que ele não tem preconceito de nada, que faz o matrimonio em qualquer lugar e cidade. Mas, frisou bem: “menos casamento gay, só isto eu não faço”.

Meu namorado que no inicio da conversa havia comentado na possibilidade do contratar o padre para fazer o seu casamento (tanto que pegou até o telefone), ficou com uma raiva. Enquanto isto, meu primo engolia a seco com medo do L. virar e falar alguma besteira para o tal padre.

Mas, nada aconteceu, o padre desceu e virando a esquina, meu namorado jogou o telefone anotado fora. E ficamos ao mesmo tempo tirando um sarro na situação, mas também falando que como alguém condena o casamento gay, se esta envolvido num caso com uma menor, numa situação que beira a prostituição.

Só sei que tudo virou uma piada entra a gente, e minha prima disse que quando soube que nos três iríamos levar o padre falou para os noivos: seu doido, foi entregar o padre para ser levado por três gays???

Poxa, nós somos gays, mas somos limpinhos e comportados ;)

Ass.: R

sexta-feira, 10 de julho de 2009

The Sims 3: Sinal de Evolução


Post sugestionado pelo leitor Yuri. Valeu ;)

As vezes caio na tentação, e desenterro o jogo "The Sims", o primeirão e original. Para mim foi uma tremenda revolução e evolução quando eu pude fazer dois homens morar juntos e até fazer dormir na mesma cama.

E olha, que na época que comecei a jogar, eu estava ainda com os dois pés dentro do armário e ainda não tinha um relacionamento gay no currículo.

Mas, hoje mês espanto ao saber que a versão 3 do conhecido jogo, foi mais adiante ainda. Enquanto se discute se o casamento deve ou não acontecer, no jogo já esta liberado.

Sim, isto mesmo. Agora eles não moram apenas juntos, você pode casar e fazer a cerimônia com os amigos do jogo. E nesta nova versão, os casais homossexuais têm mesmas disponibilidades de funções que os casais “normais”.

Sei que é só um joguinho, mas foi muito bom ver que como está crescendo o interesse no publico gay, que também consome muito e também gosta de jogar no seu PC.

Isto não é um passo gigantesco e evolutivo... mas, com certeza, nos oferece o bem estar de saber que até mesmo num joguinho, nós temos todos os direitos e somos iguais a qualquer um, independendo das opções sexuais.

Meus parabéns a empresa que produz o jogo. Sei que tudo também parte de um golpe comercial para atrair mais clientes, mas pelo menos eles ousaram um pouco mais que os outros.

Ass.: R

terça-feira, 7 de julho de 2009

Uniões, Medos e Mudanças


Bem, como vocês devem ter percebido, este blog esta meio abandonado. O monitor do meu namorado fez PUF! E fiquei sem meu apoio, e uma série de acontecimentos estão deixando minha cabeça meio aérea. Tenho pique de atualizar só o DXPP, pois lá a coisa é mais leve e divertida. Não que eu não goste de atualizar este blog, mas o lado sério da minha mente andou bem ocupado esta semana.

Estou deixando no final deste mês minha cidade natal, a litorânea e linda Santos. Eu adoro esta cidade, mas tenho consciência que ela virou um paraíso para aposentados, o que é um sinal que os empregos aqui estão cada vez mais esvaindo pelo ralo. Então, dividirei um apartamento com meu primo em São Paulo.

As mudanças não param por aí, meu namorado irá me acompanhar e passaremos e a viver como casados. Isto mesmo, não só vou deixar minha cidade, como também minha solteirice de lado. E meu relacionamento que completará seis anos no próximo dia 26, evoluirá de namoro para casamento.

Estou feliz? Muito. Estou apavorado? Sim, e muito mesmo.

Praticamente sete anos, desde o falecimento do meu pai, são só eu e minha mãe. Mesmo com algumas idas e voltas do meu irmão, sempre eram nós dois aguentando a barra, limpando a poupança para pagar impostos, cuidando dos nossos cachorros. E sinto muito em deixar tudo para trás... sei que são só uma hora e alguns minutos de distancia, mas são 32 anos de convivência com minha mãe.

Mas, esta é a evolução, por mais que como gay eu sempre tinha aquela imagem: “nunca vou sair do lado de minha mãe”. Pois o casamento para quem é homossexual é uma coisa bem distante, não é uma realidade como os romances heterossexuais.

Mas, certamente é apenas um preconceito implantado pela “sociedade” em nossa cabeça. Pois, podemos ser monogâmico, casados e convivendo muito bem. Mas, mesmo muito feliz com tudo isto, também tenho direito de ficar assustado.

Pois um futuro em outra cidade convivendo com outras pessoas, que não são seus pais, é apavorante. Mas, tudo vai embora, quando em uma noite destas, eu acordar e olhar aquele rostinho lindo e barbado ao meu lado, na minha cama.

Pois é, preciso evoluir minha mente, e fazer um upgrade com todas estas novas realidades. Que sei que no fundo, e algo que cada ser humano procura. E, felizmente, estou mais perto disto do que estive em toda vida.

Então, que venha agosto, que venha São Paulo e principalmente, que venha o casamento.

Ass.; R

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Os Últimos Passos de um Homem


Estava eu na internet, quando vi a capa da nova Vanity Fair, que mostra as últimas fotos inéditas de Heath Ledger vivo, e seus últimos momentos. E me deu uma tristeza extremamente profunda. Pela perda de um talento nato dos cinemas, e pela perda do ser humano em si.

Hoje esta estampada em todas as revistas, e dando em todas as televisões sobre a morte de Michael Jackson. Mais um vitima dos remédios. Não que seja um grande fã do cara, mas sei que ele é de extrema importância para a musica pop até hoje, e seus clipes mostraram que o visual pode ser mais do que uma banda e um fundo psicodélico. Não estou falando do ser humano, e pelas bizarrices que ele andou fazendo ou crimes sexuais, estou falando de seu trabalho.

Nesta terça-feira, passou um programa falando da dominância do crack nas grandes cidades, mas, isto eu não preciso nem ver na TV, pois todo dia perto de casa, próximo a linha do trem, há milhares de pessoas se degradando e se acabando por causa desta pedrinha.

Mas, será que o único problema é o crack. Por que uma pessoa que viciada em analgésico ou em remédios para dormir não deveria ser assistida? Heath Ledger e Michael Jackson são o caso de famosos, mas quantas pessoas não estão por ai viciadas neste tipo de medicamentos.

Eu me tomo por exemplo. Uma destas noites, que a gente não consegue dormir, onde os pensamentos e choro atrapalha a noite, eu tomei Tylenol, pois sei que ele provoca sonolência em mim. Apesar de o remédio ser fraco, você não acha que pensei em fazer a mesma coisa na noite seguinte? Aliviar mais uma noite.

Então, imagina uma pessoa que esta atolada destes remédios, e ainda consegue até receitas médicas para tanto. Pois eu sei que existem muitos psicólogos/psiquiatras/terapeutas, que preferem deixar de lado as terapias ocupacionais e exercícios mentais, e partirem para os remédios, pois assim terão o paciente sempre voltando para pegar uma nova receita.

Não estou generalizando, pois existem profissionais sérios também. Mas, já vivi algo com uma amiga de trabalho, que estava muito bem, mas era só visitar o terapeuta e no dia seguinte estar pelos cantos por causa dos novos remédios. Só acho que deveria ser encarado que o vicio em remédios é tão perigoso quanto o vício do crack.

Desculpem a revolta, pois é fogo perder talentos tão grandes por causa de remédios, e é pior ainda ver muitas “Matildas” por aí, sem pai.

Ass.: R

terça-feira, 30 de junho de 2009

Dicas de Filmes: De repente, Califórnia.


Pois é, só agora conseguir ver este tão falado filme. Mesmo sendo de 2007, aqui no Brasil ficou um curto tempo em algumas salas de São Paulo este ano. Achei um filme hiper bonitinho e identificável.

A historia tem como personagem principal Zach, vivido pelo ator pouco conhecido (mas muito bonito), Trevor Wright. Com aptidão em artes, acaba deixando sua vida de lado e as chances de revelar seu talento, por causa de laços familiares e uma irmã que não assume certas responsabilidades. Sem contar, com um namoro heterossexual que nunca vai para frente.

Mas, um novo leque de opções se abre em sua vida, quando ele reencontra o irmão mais velho do seu melhor amigo, o escritor Shaun (vivido pelo ator Brad Rowe, que fez outro filme de temática GLS: “O Beijo Hollywoodiano de Billy”). Nascendo uma grande amizade, e aos poucos, uma grande paixão.

Não vou contar mais, pois pode estragar a historia. Mas, como todo romance gay, é cheia de duvidas, e o mais importante: escolhas. Ou vivemos a vida dos outros, ou somos um pouquinho egoístas e agarramos o que a vida tem a oferecer. Pois as oportunidades podem passar e ser a única. Sem contar, que a escolha não influencia somente a sua vida, a da outra pessoa também.

Bem, um filme bem gostoso de ver. Vale a pena correr na locadora, ou encontrar na net, lembrando que o nome original é “Shelter”.

Veja o trailer:



;)

Ass.: R

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